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Centro de comando de segurança da Copa será instalado amanhã

rondaO governador Cid Gomes e o secretário da Segurança Pública do Estado, delegado federal Servilho de Paiva, vão inaugurar nesta sexta-feira (30), a central de comando que vai gerir toda a segurança da Copa do Mundo em Fortaleza. Trata-se do Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), que está instalado em uma sala especial nas dependências da própria sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), na Avenida Bezerra de Menezes, bairro São Gerardo.

Do local serão emanadas todas as diretrizes  a serem executadas pelo aparato que vai estar nas ruas e na Arena Castelão. Poderosas câmeras instaladas no estádio e seu entorno, na zona hoteleira da orla marítima de Fortaleza e na área do Aterro da Praia de Iracema, onde será realizada a Fanfest, vão permitir que os comandantes do CICCR intervenham imediatamente em casos de algum incidente que cause tumulto de pequeno porte ou mesmo em  fatos mais graves como manifestações violentas, crimes como assaltos e 'arrastões' ou até atentado terrorista e grandes acidentes.

Além das câmeras fixadas extraordinariamente nestes locais de concentração de torcedores e delegações, haverá equipamentos semelhantes instalados nos helicópteros da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer) e em duas carretas que ficarão estacionadas em pontos estratégicos, os chamados Centros Integrados de Comando e Controle Locais (CICCL).

Os equipamentos são dotados de tecnologia de ponta, com câmeras que permitem visão noturna e altíssima qualidade de imagens captadas até três mil metros de distância. Já  as câmeras especiais acopladas aos helicópteros 'Fênix' da Ciopaer também auxiliarão as equipes terrestres de escolta (do Exército, Polícia Rodoviária Federal e do BPRaio) que atuarão como batedores dos ônibus que transportarão as delegações e dos veículos oficiais que servirão às autoridades locais, nacionais, representações diplomáticas, além do comando da Fifa.

A sala onde vai funcionar o CICCR é dotada de um telão que aproximadamente três metros de largura e nele poderão ser observadas simultaneamente também as imagens captadas por cerca de cem câmeras do sistema de vigilância da própria SSPDS e outras da Guarda Municipal e da AMC. Assim, as autoridades terão a seu dispor imagens em tempo real (on-line)de praticamente toda a Capital cearense e poderão observar, direcionar e redimensionar todo o aparato de homens e viaturas dispostos nas vias.

DECISÕES

O Comando da 'Operação Copa 2014' estará nas mãos de três autoridades locais, o próprio secretário da Segurança Pública, o comandante da Décima Região Militar (Forças Armadas) e o superintendente regional da Polícia Federal. Aos três caberá a tarefa de tomar as principais decisões quanto à segurança do Estado, inclusive se houver necessidade de mobilização do efetivo de três mil homens do Exército, Marinha e Aeronáutica que, desde o último dia 16, está aquartelado em Fortaleza, sob regime de pronto-emprego como tropa de reserva (contingenciamento). Em eventual protesto violento e de grandes dimensões, o efetivo federal pode ser acionado para auxiliar a PM, Polícia Civil, Polícia Rodoviária Federal (PRF) e  Força Nacional de Segurança (FNS). Carros blindados, helicópteros, ônibus, caminhões de transporte de tropas (TPs), jipes, motocicletas e ambulâncias estão também já estão à disposição dos militares para mobilização rápida para qualquer ponto do Ceará em caso de necessidade.  

 

INAUGURAÇÕES

 

Além da instalação do Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), o governador Cid Gomes deverá também inaugurar amanhã a nova estrutura da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) e fará a entrega de mais viaturas para as polícias Civil e Militar.

Jornalistas sofrem atentado de manifestantes em Fortaleza. Carro de reportagem ficou destruído

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Uma equipe de reportagem da TV Cidade foi vítima de violência extrema na tarde desta quinta-feira em Fortaleza. Os profissionais da emissora de TV (afiliada da Rede Record de Televisão) estavam fazendo uma reportagem na sede da Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar, na Avenida do Imperador, Centro, quando um grupo estimado em mais de 100 pessoas, promovia protestos nas ruas da Capital.

Os blackblocs vinham provocando depredações e tumultos nas ruas do bairro Benfica e se dirigiam ao Centro, quando perceberam a presença dos jornalistas. Resolveram, então, atacar os profissionais que naquele momento estavam saindo da sede da associação (haviam ido fazer uma reportagem especial sobre a morte de um PM e os casos de mais dois policiais baleados em assaltos nos últimos dois dias em Fortaleza).

Os vândalos utilizaram pedras, pedaços de pau, metais e pneus para atacar os jornalistas, que foram socorridos pelos policiais que estavam sendo atendidos em sua associação. Ainda assim, o cinegrafista sofreu várias lesões, inclusive um profundo golpe no pé esquerdo e também ferimentos nos braços. A reporter foi salva porque correu de volta à sala da presidencia da entidade. O motorista e auxiliar também ficou ferido e disse que, "por pouco, não fui morto por eles".

Repelidos da sede da associação, os blackblocs destruíram totalmente o carro de reportagem da TV Cidade que estava parado ali próximo. Quatro patrulhas do Comando Tático Motorizado (Cotam) do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), sob o comando do capitão Vasconcelos e do tenente Paulo César, chegaram a tempo de impedir que os vândalos incendiassem o que sobrou do carro de reportagem. Um pneu já havia sido colocado sobre os destroços do automóvel.

Com a chegada da Tropa de Choque, os saqueadores tentaram fugir e se dispersaram. Mesmo assim, 26 deles (nove adultos e 17 adolescentes) foram detidos ainda com as armas do crime, pedras, paus e outros objetos. O delegado seccional da Área Integrada de Segurança Um (AIS 1), e titular do 34º DP (Centro), Romério Moreira de Almeida, compareceu ao local e determinou que os suspeitos fossem todos conduzidos ao plantão da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA), onde o caso está sendo apurado.

A violência sofrida pelos profissionais de Imprensa revela a fúria, irresponsabilidade e agressividade dos grupos que vêm organizando manifestações de rua em Fortaleza, e põe em xeque a segurança do trabalho dos jornalistas, que agora se tornaram alvo dos baderneiros de plantão. Isso é só um prenúncio do que poderá acontecer nas manifestações previstas para a Copa do Mundo da Fifa, no próximo mês.

Ainda no ano passado, semelhante ato de violência foi praticado por manifestantes contra uma equipe da TV Diário e um carro de reportagem da emissora foi destruído através de incêndio durante uma manifestação nas vias de acesso à Arena Castelão. O fato ocorreu no dia da partida BrasilxMécico pela Copa das Confederações.

O ato de violência aconteceu exatamente um dia após a Associação Cearense de Emissoras de Rádio e Televisão  (Acert) ter realizado uam reunião com representantes de vários veículos de comunicação locais para debater iniciativas preventivas a serem tomadas pelas referidas empresas duante a cobertura da Copa. Segundo o que ficou estabelecido no encontro, repórteres, locutores, repórteres-fotográficos, cinegrafistas, motoristas e auxiliares, estarão vulneráveis a atos de violência por conta das manifestações.

Diante disso, os profissionais deverão passar por treinamento e, paralelamente, será elaborado um manual de conduta para os jornalistas a fim de protegê-los da violência. "É uma questão de responsabilidade nossa, dos veículos, de assumirem essa formação para as situações de risco", afirmou a jornalista Carmem Lúcia Dummar, presidente da entidade. Menos de 24 horas depois disso, por pouco três profissionais de Imprensa não foram massacrados nas ruas de Fortaleza.