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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

1.681 em 13/9/2019  

Secretário da Segurança Pública vai ao Tribunal de Justiça investigar tiros disparados no carro oficial de desembargador

tribunal 064

O carro oficial do desembargador Francisco Pedrosa foi atingido por, pelo menos, cinco tiros

Delci Teixeira 2

Delci Teixeira esteve, ontem,  na sede do TJCE após o caso "vazar"

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) decidiu entrar na investigação para apurar o incidente envolvendo o carro oficial de um desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará, alvejado a tiros na semana passada. Ontem, após o  “vazamento” da informação sobre o caso, através de matéria exclusiva do blogdofernandoribeiro.com.br,  o próprio secretário Delci Teixeira foi à sede do TJCE tratar do assunto. Até então, o episódio e sua investigação eram mantidos em sigilo.

O carro oficial  (New Honda Civic preto) atingido por, pelo menos, cinco tiros, está à disposição do gabinete do desembargador Francisco Pedrosa Teixeira.  Até o momento, o juiz não se reportou oficialmente sobre o caso.

Já o motorista dele, José Aírton de Oliveira, prestou um Boletim de Ocorrência (B.O.) no último sábado no plantão do 30º DP (São Cristóvão), informando ter sofrido uma suposta tentativa de assalto quando circulava com o automóvel oficial do TJCE no bairro Vila Manuel Sátiro.

No entanto, este depoimento do motorista causou estranheza às autoridades. O blogdofernandoribeiro.com.br apurou que o automóvel apresentando marcas de tiros na lateral direita, na porta do caro, se encontrava na garagem do subsolo da sede do TJCE desde a manhã de quarta-feira, sendo isolado dos demais. No mesmo dia, à tarde, uma equipe da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) esteve ali e realizou exames periciais.

Atentado?

E desde a última quarta-feira os boatos e especulações sobre o fato dominam as conversas nos corredores, gabinetes e secretarias do Tribunal. Os funcionários foram proibidos de se aproximar ou tirar fotos ou fazer filmagens do carro alvejado.

A possibilidade de um atentado contra o magistrado girou nas conversas sobre o caso, mas nada foi confirmado a respeito.

O fato veio à tona em meio ao clima de turbulência que domina o Tribunal de Justiça em virtude de investigações que estão sendo realizadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre as denúncias de venda de liminares nos plantões de fim de semana e feriados naquela Corte. Pelo menos, quatro desembargadores estariam na mira das investigações.

No último dia 15 de junho, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em vários gabinetes de desembargadores na sede do TJCE por determinação do Superior  Tribunal de Justiça (STJ). A ação teve por  objetivo a busca por provas do escândalo da venda de liminares (soltura de presos) nos plantões.

No mesmo despacho, o ministro do STJ, Herman Benjamin,  determinou o afastamento preventivo do desembargador  Carlos Feitosa, um dos  magistrados investigados sobre o caso.  Ele permanece fora do cargo.  

No dia seguinte, a presidente do TJCE, desembargadora Iracema do Vale, determinou o imediato afastamento do cargo e transferência para outros setores, de cinco funcionários que prestavam serviço no gabinete de Carlos Feitosa.

Informações extra-oficiais dão conta de que no escândalo da venda de habeas corpus nos plantões estariam envolvidos, além de desembargadores, advogados que atuam na área Criminal, além de servidores do próprio TJCE.  A investigação compartilhada entre o CNJ e o STJ ocorre sob sigilo.  

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