Levando a sério o jornalismo 24 horas por dia.

Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

2.219 em 5/12/2019  

Depois de mais um motim e fuga, comissão vai inspecionar o Centro Patativa de Assaré

Patativa 2

Uma comissão formada por membros do Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública vai realizar, ainda nesta semana, uma inspeção em, pelo menos, dois centros educacionais destinado ao recolhimento de adolescentes infratores. A medida visa apurar as condições em que se encontram estas unidades, que passam por constantes problemas de superlotação, motins, depredações, fugas e casos de agressões.

O último episódio de violência ocorreu na noite de domingo passado no Centro Educacional Patativa do Assaré, localizado no bairro Ancuri, na Grande Messejana, zona Sul de Fortaleza.  Ali, durante mais um episódio de rebelião, 11 adolescentes infratores conseguiram fugir e, até agora, apenas um foi recapturado.

O “Patativa” é o maior centro de recolhimento de adolescentes em conflito com a lei. Para lá são mandados menores acusados da prática de crimes graves como latrocínio (roubo seguido de morte), homicídio, tráfico de entorpecentes, assalto (roubo), estupro e seqüestro.

Destruição

No entanto, as condições de confinamento no centro são precárias e, muitas vezes, os motins acontecem quando grupos rivais se encontram naquela unidade. As rebeliões são marcadas, em geral, pela destruição das dependências. Paredes, grades, divisórias e utensílios são depredados, obrigando a direção a isolar os agressores e vândalos dos demais, gerando ainda mais revolta e aumento da tensão no local.

Segundo o juiz de Direito Manoel Clístenes de Façanha e Gonçalves, titular da Quinta Vara da Infância e da Juventude de Fortaleza, responsável pelo julgamento e aplicação de medidas socioeducativas, no ano passado o “Patativa” registrou vários episódios de motins e evasões. A mais grave, segundo ele, gerou uma fuga de 62 internos. “E muitos dos que fugiram naquela ocasião ainda não foram encontrados”, diz o magistrado.

Ameaçados

Em geral, os Centros Educacionais passam por um estado de superlotação e os educadores são constantemente alvos de ameaças de morte e até agressões.  Eles contam que são intimidados quando a direção determina medidas disciplinares para aqueles menores envolvidos em conflitos. “Acaba sobrando pra nós”, disse um dos educadores, que pediu para não ser identificado. 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar