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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará 2017

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Atualizado em 18/12/2017  

Candidato do governo diz que vai "restabelecer" a disciplina e a hierarquia na PM e mudar o Ronda do Quarteirão

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Viaturas custando R$ 150 mil se envolveram em dezenas de acidentes no início do Ronda

FOTOS: Divulgação

Em entrevista a uma emissora de rádio da Capital cearense, na manhã desta sexta-feira (18), o candidato da situação a governador do Estado do Ceará, Camilo Santana (PT), anunciou que, caso seja eleito para o cargo, vai "reorganizar" o Ronda do Quarteirão. Porém, foi mais além, advertindo que, como governador, vai "restabelecer a hierarquia e a disciplina" nos quadros da Polícia Militar.  Santana não poupou palavras e disse que, desde a greve realizada pelos policiais militares, em dezembro de 2012, "houve uma elevação assustadora de homicídios no Estado".

A declaração do candidato situacionista revela que dentro do próprio governo do Estado há uma insatisfação quanto aos resultados alcançados pelo programa de Polícia comunitária "Ronda do Quarteirão", que foi a alavanca da campanha do então candidato Cid Ferreira Gomes em sua corrida ao cargo, ainda no primeiro mandato.

Críticas  

Implantado em novembro de 2007, em fase embrionária e experimental, o "Ronda" começou funcionando em apenas cinco áreas de Fortaleza e da Região Metropolitana. Na época, o então secretário da Segurança Pública, delegado federal Roberto Monteiro, revelou à Imprensa que o custo com a implantação do programa foi de R$ 57 milhões iniciais.

As primeiras críticas da população e da oposição se referiam ao custo do tipo de viatura que o Governo decidiu comprar para formar as patrulhas, isto é, caminhonetas importadas de marca Hilux ao preço de R$ 150 mil cada uma (preço da época).

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Julho de 2010: um garoto é morto pelo Ronda FOTOS: Divulgação/Diáriodo Nordeste

Com o passar dos anos, o Ronda do Quarteirão foi sendo foi ampliado para todos os Municípios cearenses com população igual ou superior a 80 mil habitantes. Desde então, muitas mudanças foram feitas em seu formato, como o aumento do número de policiais em cada patrulha, a revogação da proibição de "perseguir" bandidos, a ampliação das áreas de patrulhamento e a retirada das motocicletas que acompanhavam as viaturas. Além disso, ocorreram dezenas acidentes com os veículos, sendo a maioria, pela falta de habilitação dos PMs motoristas. Registraram-se, ainda, casos mais graves, como o assassinato de um garoto e uma adolescente, em Fortaleza, por soldados do Ronda, e até episódios de abusos sexuais nas viaturas. Depois da greve de dezembro de 2012, a gratificação salarial que era específica para os PMs do Ronda, teve que ser estendida a todo o efetivo da PM.

Fim da identidade?

Atualmente, o Ronda praticamente perdeu sua identidade original. Ele atua agora em conjunto com o Policiamento Ostensivo Geral (POG) e já quase não tem mais o caráter de "Polícia Comunitária", passando a atender a todo tipo de ocorrência, inclusive as mais graves como assaltos, assassinatos, sequestros, perseguição a bandidos e repressão ao tráfico de drogas. Tais mudanças vieram à custo de muitas críticas da população e dos antagonistas políticos, além da necessidade da própria Segurança Pública em conter o crescimento avassalador da taxa de homicídios na Capital, Região Metropolitana e no Interior.

Hoje, as viaturas do Ronda deixaram de ser exclusivas do programa.

Nas ruas da Capital, pelo menos, policiais do POG (farda verde) podem ser vistos em viaturas do Ronda e PMs do Ronda em carros do POG. Além disso, ao assumir o cargo de comandante-geral da PM, o coronel Carlos Prado orientou os policiais a não contabilizar especificamente para suas unidades os resultados positivos de qualquer operação mais complexa ou a resolução de simples ocorrências. "Quem agiu, quem prendeu, foi a Polícia Militar", passou a ser o lema, e não mais o Ronda, a Companhia tal, ou o Batalhão tal. Uma tentativa de acabar com a "divisão" dentro da tropa.

Recado...

As palavras de Camilo Santana, proferidas em entrevista na manhã de hoje, podem sinalizar um contundente recado. O Ronda poderá ser reestruturado ou até mesmo extinto, dada sua baixa produtividade. Já em relação a expressão de que vai "restaurar a hierarquia e a disciplina" e que depois do "motim" (greve) de 2012 o número de homicídios teve uma "elevação assustadora", foi uma crítica direta do candidato àqueles que encabeçaram o movimento grevista, cometendo, conforme a Justiça decidiu, conduta ilegal e até crime militar.  

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