Levando a sério o jornalismo 24 horas por dia.

Homicidômetro - Assassinatos no Ceará 2017

4.530

Atualizado em 20/11/2017  

Justiça revoga prisão e manda a Júri oito PMs suspeitos de envolvimento na chacina do Curió

PMs soltos

Na noite passada, nas dependências do Presídio Militar, os PMs receberam os alvarás de soltura 

A noite desta terça-feira (18) foi de muita movimentação nas dependências do Quartel do 5º BPM e do Comando do Policiamento da Capital (CPC), no bairro José Bonifácio, em Fortaleza. Motivo: a libertação de parte dos 44 policiais militares que estavam presos preventivamente desde agosto do ano passado no Presídio Militar. Todos são acusados de envolvimento na Chacina do Curió, uma matança ocorrida em novembro de 2015 em que 11 pessoas foram assassinadas a tiros e outras sete ficaram feridas ou teriam sido torturadas.

No fim da tarde, o Primeiro Colegiado da Justiça decidiu revogar a prisão preventiva de oito dos 44 PMs, ao mesmo tempo em que formulou a pronúncia contra os mesmos. Com a decisão, os oito  serão levados a julgamento popular em data ainda a ser definida, mas que pode ocorrer ainda neste primeiro semestre de 2017.

Foram libertados os seguintes militares: Antônio Flauber de Melo Brazil, Clênio Silva da Costa, Antônio Carlos Matos Marçal, Francisco Hélder de Souza Filho, Igor Bethoven Sousa de Oliveira, José Oliveira do Nascimento, José Wagner Silva de Sousa e Maria Bárbara Moreira.

Cautelares

Com a decisão de colocá-los em liberdade, a Justiça, porém, determinou que os PMs  cumpram por, pelo menos, um ano, um elenco de medidas cautelares, entre elas, a proibição de trabalharem no serviço externo (de policiamento) da Corporação, restringindo-se a atividades internas (administrativas); proibição de terem qualquer tipo de contato com familiares das vítimas da chacina, sobreviventes ou testemunhas; além de não poderem se ausentar da comarca (Fortaleza) por prazo maior que oito dias sem a devida autorização da Justiça.

Caso algum dos PMs descumpram tais medidas, a concessão da liberdade será suspensa e novamente decretada a prisão. Ao fim de um ano, a Justiça avaliará a necessidade ou não da continuidade das medidas cautelares.  A decisão já foi comunicada ao Comando-Geral da PM e os alvarás de soltura entregues aos acusados ainda na noite de ontem, quando, então, eles deixaram o Presídio Militar na companhia de familiares, amigos e advogados. Outros 36 militares permanecem presos.

O crime

A chacina aconteceu na madrugada do dia 12 de novembro de 2015, quando 11 pessoas foram mortas, todas a tiros, nos bairros Curió, Lagoa Redonda e Conjunto São Miguel, na Grande Messejana, na zona Sul de Fortaleza. Conforme as investigações, a matança teria sido uma vingança de policiais militares pelo assassinato de um colega de farda durante uma tentativa de assalto na noite anterior em um campo de futebol, na Lagoa Redonda.

Investigações realizadas pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da segurança Pública e do Sistema Penitenciário do Estado do Ceará (CGD) revelaram que policiais militares foram os responsáveis pela chacina. A defesa deles nega a acusação e questiona supostas provas falsas colocadas no inquérito. Com o envio dos autos à Justiça, o Ministério Público ofereceu a denúncia contra todos. No entanto, recentemente, quatro foram impronunciados.  

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar