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Campanha pela efetivação de novos delegados na Polícia Civil ganha repercussão nas redes sociais e nas ruas

VEJA O VÍDEO DA CAMPANHA

Uma campanha começa a ganhar corpo nas ruas e nas redes sociais. Ela é uma iniciativa dos candidatos aprovados no concurso para delegado de Polícia Civil, realizado em 2014. Eles aguardam há três anos a convocação pelo Governo do Ceará para iniciar o Curso de Formação Profissional na Academia Estadual da Segurança Pública do Estado (AESP) e ingressarem definitivamente na carreira.

Um Cadastro Reserva é formado por 356 pessoas que esperam o momento da convocação. São bacharéis em Direito, muitos com extensa formação na área da Justiça e da Segurança Pública que aguardam o momento para reforçar os quadros da Polícia Judiciária cearense. A instituição hoje apresenta um grave problema de defasagem no seu quadro funcional.

Os candidatos tiveram, recentemente, um encontro com o secretário estadual da Fazenda, Mauro Filho, para expor a situação grave da Polícia Civil e a necessidade urgente de recomposição do quadro de delegados. Hoje, são 337 vagas ociosas no cargo, sendo 100 delas de Delegado de 1ª Classe. No entanto, essa defasagem deve, no mínimo, dobrar até 2018, quando uma leva de delegados veteranos deve entrar com pedido de aposentadoria. Além disso, ainda neste mês haverá promoções dentro da carreira e mais cargos ficarão sem recomposição caso o Estado não convoque os aprovados.

Enquanto no âmbito administrativo a Polícia aguarda aval do Governo para repor seus quadros, na operacionalidade a instituição vem, ano a ano, agravando seu estado de sucateamento. São 84 Municípios cearenses - todos do Interior - que não conta com delegacias de Polícia, sendo atendidos apenas por Unidades Policiais (UP) que se limitam à expedição de Boletins de Ocorrência (B.O.) e nada mais. Investigações não são feitas por falta de pessoal e estrutura.

Além disso, das 20 delegacias regionais, nas cidades de maior porte do Interior, como Juazeiro do Norte, Crato, Sobral, Aracati, Acaraú, Iguatu, Russas, Quixadá e Canindé, apenas 10 funcionam em regime 24 horas. As demais - por falta de delegados - fecham as portas às 18 horas nos dias úteis e não funcionam nos fins de semana e nos feriados.

Capital

Já na Grande Fortaleza (Capital e Região Metropolitana), das 35 distritais e 14 Metropolitanas, totalizando 49 unidades da Polícia Judiciária, apenas 12 funcionam em regime de plantão 24 horas, além de três Especializadas (Delegacia de Defesa da Mulher/Fortaleza, Delegacia da Criança e do Adolescente/DCA, e Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa/DHPP).  As demais permanecem de portas fechadas para a população.

Com o menor efetivo do Brasil, entre todas as instituições estaduais similares, a Polícia Civil do Ceará hoje enfrenta  um imenso volume de inquéritos sem investigação, delegacias superlotadas de presos provisórios que deveriam estar no Sistema Penitenciário, e não tem como atender à demanda da enxurrada de assassinatos em todo o estado, com mais de três mil homicídios para investigar somente nos primeiros oito meses de 2017.

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