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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2018

4.004 em 22/10/2018  

Bandidos da facção GDE que fugiram de presídio invadem Barroso 2 e expulsam dezenas de famílias de suas casas

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A ordem de expulsão dos moradores foi feita através de pichações nas paredes das residências

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Criminosos deram o ultimato aos moradores na madrugada de quarta-feira (3)

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As juras de morte estão estampadas nas fachadas e muros de casas de várias ruas do Barroso 2

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Os criminosos ameaçam também incendiar as resdiências daqueles resistirem em ficar no bairro

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Na noite de ontem, a PM entrou no bairro para proteger as famílias na hora da mudança forçada

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Protegidos pela PM, moradores começaram a abandonar as residências temendo serem mortos

Cerca de 300 famílias residentes no Barroso II, comunidade localizada na zona Sul de Fortaleza, estão sendo expulsas de suas casas por ordem de uma facção criminosa que invadiu e dominou completamente o bairro. A saída dos moradores começou na noite desta quarta-feira (3) em um clima de muita tensão, revolta e tristeza. A Polícia Militar ocupou as ruas com viaturas do Policiamento Ostensivo Geral (POG) e patrulhas dos batalhões de Choque (BPChoque) e Raio (BPRaio) para dar segurança na hora da mudança.

A ordem para que as casas localizadas em, pelo menos, seis ruas e várias travessas do Barroso II surgiu na manhã de ontem, quando várias pichações foram feitas nos muros das casas durante a madrugada. Quem determinou a retirada das famílias  teria sido bandidos pertencentes à facção GDE (Guardiões do Estado) que estão escondidos ali desde o último fim de semana, quando houve uma fuga em massa de detentos em uma das Casas de Privação Provisória da Liberdade (CPPL) no Complexo Penitenciário de Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

Expulsão

Segundo levantamentos feitos pelas autoridades, no fim de semana, foragidos da Justiça chegaram ao Barroso II em vários carros dirigidos por comparsas da facção GDE. Muitos foram vistos ainda vestindo o uniforme de presidiário fornecido pela Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus), camisetas brancas e shorts verdes ou laranjas.

Com a chegada dos criminosos, partir do comando do GDE a ordem para expulsão das famílias para que suas casas fossem ocupadas pelos foragidos e seus familiares, o que transformaria o bairro numa espécie de cidade da organização criminosa.

Na madrugada de quarta-feira as fachadas e muros das residências foram pichadas pelos criminosos, ordenando que os moradores deixassem os imóveis, com a promessa ou ameaça de “quem ficar, vai morrer”, ou que iriam “tocar fogo” nas residências. Casas localizadas em ruas como a Unidos Venceremos e São Tomaz de Aquino e a Travessa Seis começaram a ser desocupadas.

Uma fonte da Polícia Militar, ouvida nas últimas horas, confirmou que houve sim a debandada geral de moradores e que a PM ocupou o  bairro para dar segurança às famílias que preferiram ficar e também àquelas que decidiram cumprir a ordem dos criminosos. Na noite passada, vários caminhões foram vistos sendo usados na mudança das famílias. Também foram vistos policiais militares dando segurança na hora da retirada dos moradores.

Temendo a ordem dos criminosos, moradores preferiram não falar e as equipes de reportagem foram proibidas de entrar na comunidade para registrar a expulsão das famílias de suas casas.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) ainda não se manifestou sobre o fato.

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