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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2018

3.947em 18/10/2018  

Artigo de Leandro Vasques: A insegurança e a roupa do rei

Vasques 500

Os números que ilustram o cenário hemorrágico da criminalidade no Ceará nos bombardeiam todos os dias. Nem os mais habilidosos contorcionismos que o Governo tem tentado realizar com os seus índices têm conseguido encobrir a clareza solar dos recordes de mortes violentas que vêm sendo batidos continuamente.

Nesse contexto desolador – que dispensa maiores apresentações, pois estamos todos imersos no mesmo caos – o que se esperaria de um Governo minimamente preocupado com as soluções? Diálogo com quem pode e deseja colaborar, naturalmente.

Mas o que temos visto da cúpula que tenta nos governar é a insistência em estratégias comprovadamente fracassadas, além de isolamento em um casulo de autoengano. Há quem exija experiência comprovada em viaturas policiais para opinar sobre o assunto. Há ainda quem insulte eventuais críticos e prometa caminhar nu em praça pública caso alguém demonstre o óbvio ululante.

Nada mais inadequado e infantil, para dizer o mínimo. O governo e as suas políticas públicas são apenas uma faceta de um sistema complexo, em que o todo é maior que a soma das partes, composto por diversos segmentos prontos para colaborar de forma decisiva. Além dos órgãos de segurança, há instituições acadêmicas, organizações comunitárias, entidades profissionais etc., cada qual capaz de contribuir com algo além de midiáticas soluções policialescas.

Os números podem revelar quantidades, mas, se não forem bem analisados, escondem e distorcem a realidade. Se o atual Governo foi o que mais investiu em segurança pública, pode-se dizer que foi o que investiu pior, a exemplo da pouca importância que deu à polícia judiciária, aquela que de fato investiga os crimes, além de ter investido zero real na rubrica de inteligência policial no ano de 2017.

Estamos vivendo uma nova versão do conto A roupa nova do rei, de H. C. Andersen, em que um monarca, totalmente despido, estava convencido de que trajava vestes magníficas, até que uma criança, desinteressada e despretensiosamente, grita: “O rei está nu!”. No nosso caso, o Governo precisa ouvir a população que insiste em exclamar que o “Ceará Pacífico” não tem sido uma “roupa” adequada para a ocasião.A insegurança e a roupa do rei.

Leandro Vasques

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Advogado, mestre em Direito pela UFPE

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