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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2018

3.933 em 17/10/2018  

Bandidos ignoram operação ocupação da PM e trocam tiros durante horas na Babilônia

Balas nas mãos 1

Moradores mostram cartuchos de balas deixados nas ruas e vielas após o intenso tiroteio 

Moradores das comunidades do Barroso II, João Paulo II, Jereba e Babilônia, no Grande Jangurussu, viveram mais uma madrugada de terror nesta terça-feira (24). Entre 3 e 4 horas, facções criminosas entraram em um novo confronto. Durante cerca de uma hora, dezenas de estampidos foram ouvidas. Tiros de fuzil, metralhadora e pistola ecoaram em uma frenética sequência, quebrando o silêncio da madrugada e deixando a população da área em pânico dentro de suas casas e comércios.

O tiroteio começou por volta de 3 horas, segundo os moradores, e se estendeu madrugada adentro. Bandidos das facções Comando Vermelho (CV) e Guardiões do Estado (GDE) – que travam uma “guerra” há mais de um ano na região - ignoraram a presença da Polícia Militar, que mantém uma operação de ocupação entre as duas comunidades, e partiram para o confronto.

“Foram muitos, dezenas de tiros. De longe dava para ouvir as rajadas de metralhadoras e os tiros de fuzil”, disse um policial militar (identidade preservada) que reside na área. “Deu até para ouvir os gritos deles (bandidos), desafiando uns aos outros, mandando eles aparecerem na rua”, completou o PM. O clima permanece tenso na região.

Quando o dia começou a amanhecer, os tiros foram cessando gradativamente. Os primeiros moradores então começaram a sair de suas casas para seguir para o trabalho. No meio das vielas, becos e ruas das duas comunidades ficou a prova do tiroteio: dezenas de cápsulas de balas de diversos calibres, entre eles, fuzis, submetralhadoras e pistolas, além de espingardas de calibre 12 (escopetas).

Expulsão de moradores

Apesar da intensa troca de tiros, a Polícia informou que não há, até o momento, registros de pessoas mortas ou feridas na região. A PM mantém a ocupação na divisa entre as duas comunidades. Segundo o Comando do Policiamento da Capital (CPC), não há prazo para a Polícia se retirar do local. Mesmo estado literalmente no meio do fogo cruzado, nenhum PM que participa da operação ficou ferido.

A operação de ocupação da Polícia Militar teve início há cerca de dois meses, quando moradores foram expulsos de suas casas por ordem de bandidos de facções criminosas.

Na comunidade da Babilônia, a ação dos criminosos armados continua sendo chefiada pelo traficante Auricélio Sousa Freitas, o “Celinho”, apontado como um dos líderes da GDE na região. Seus “soldados” permanecem escondidos na região utilizando um forte armamento, que inclui fuzis e submetralhadoras. A tentativa de expulsar dali os rivais do CV tem resultado nos constantes embates durante as madrugadas.

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