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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2018

4.293 em 17/11/2018  

Violência sem fim: assassinatos de mulheres no Ceará dobram em seis meses de 2018

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SIRENE ABERTA   

Fernando Ribeiro

Modelo assassinada 1

Em maio, uma jovem foi morta a tiros, em mais um crime de latrocínio nas ruas de Fortaleza

O número é assustador. Em apenas seis meses (incompletos) de 2018, nada menos que 234 mulheres já foram assassinadas no Ceará. Em comparação com igual período do ano passado, a elevação nos índices de homicídios comuns, latrocínios (roubos seguidos de morte) e casos de feminicídios já atinge mais de 100 por cento. Entre as causas para esse aumento, segundo especialistas, o envolvimento cada vez mais crescente de mulheres, especialmente, jovens e adolescentes, no mundo do crime nas drogas. Some-se a isso, os casos passionais e as mortes provocadas pela guerra entre facções criminosas. Somente no mês de janeiro foram 56 mulheres assassinadas no estado.

MATANÇA QUE NÃO ACABA

Nos meses seguintes, o ritmo da matança continuou. Em fevereiro foram 42 vítimas. Em março, 46. Em abril, mais 33 mortes. Em maio, no mês das Mães e das Noivas, foram 35 mulheres assassinadas no estado. Já em junho, entre os dias 1º e 20, já foram contabilizados 22 crimes. Entre as vítimas de junho, estão oito mulheres mortas no intervalo de apenas três dias, no fim de semana passado. As histórias de cada crime são terríveis. Em Horizonte, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), um exemplo disso. Uma jovem de apenas 18 anos, foi executada, a tiros, quando amamentava seu filho, um bebê de poucas semanas de vida. Já em Tauá, a vítima foi uma idosa de 91 anos de idade, morta covardemente a pauladas pelo próprio bisneto, que exigia da bisavó dinheiro para comprar drogas. Neste último caso, o autor do crime já está preso. No primeiro, o fato ainda é investigado. Em ambos, no entanto, a marca da crueldade e da violência.

A MORTE DAS IRMÃS

Na guerra travada entre as facções criminosas, jovens garotas são arrastadas para as estatísticas criminais. Neste ano, cerca de 30 adolescentes (meninas com idades entre 12 e 17 anos) foram mortas por conta da rivalidade dessas quadrilhas. O primeiro assassinato registrado neste ano em Fortaleza aconteceu nos primeiros minutos do dia 1º de janeiro e teve como vítimas duas irmãs, ambas adolescentes (idades de 15 e 16 anos). Elas foram as primeiras vítimas femininas dessa guerra declarada entre criminosos ligados ao tráfico de drogas. Na Avenida Major Assis, no bairro Vila Velha, as irmãs Gabriela e Erilane Lima Costa tombaram com vários tiros. Aquilo era o prenúncio de que o ano seria marcado pela extrema violência contra as mulheres no Ceará. Após o duplo homicídio que vitimou as irmãs adolescentes, outras 342 mulheres foram também executadas. Algumas de forma cruel e horripilante, com cenas de decapitação ou esquartejamento. Muitos desses crimes ainda aguardam esclarecimento, com identificação e prisão dos algozes.

TORRES CONTRA O CRIME

Está firmada a parceria entre o governo do Ceará e a Prefeitura. Até outubro, serão erguidas 12 Torres de Segurança em Fortaleza. Duas delas já estão em funcionamento, embora que na fase de teste. São as do Jangurussu (inaugurada no dia 28 de fevereiro) e a da comunidade Goiabeiras, na Barra do Ceará (entregue pelas autoridades na última terça-feira, dia 19). Já em construção está a Torre do bairro Vila Velha. Em seguida, virão as dos bairros Canindezinho e Edson Queiroz (comunidade do Dendê). Para o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), essa é uma experiência nova e que trará segurança para as comunidades mais atingidas pela violência. Já o “comandante” e criador do Programa Municipal de Proteção Urbana, vice-prefeito Moroni Torgan, o projeto foi concebido a partir do conhecimento de experiências no mesmo sentido e que tiveram êxito em várias cidades por ele visitadas, como Cali, Juarez e Medellin, na Colômbia; Nova Iorque e Chicago, nos Estados Unidos; e em Israel, onde Moroni teve contato com autoridades que lidam com situações mais belicosas, como a resistência e repressão ao terrorismo.

FRONTEIRAS DE CAMILO

Camilo Santana (PT), governador do estado, bate na mesma tecla. Para ele, os estados brasileiros estão sofrendo com a violência por conta do descumprimento de um preceito constitucional. Pare ele a vigilância das fronteiras brasileiras, de responsabilidade do governo federal (através das Forças Armadas e da Polícia Federal), tem sido falha e permitido a entrada no Brasil de drogas. “Não fabricamos cocaína nem maconha. Cocaína vem da Colômbia e da Bolívia. Maconha vem do Paraguai. Essas drogas entram no Brasil e acabaram chegando nas mãos dessas facções, que são as grandes responsáveis pelos altos índices de homicídios nos estados”, afirma. Na solenidade de inauguração da Torre de Segurança na comunidade Goiabeiras, Camilo Santana voltou ao assunto no seu discurso e mais uma vez criticou o governo federal pela inoperância na vigilância das fronteiras brasileiras.

SAÚDE MENTAL DA TROPA

Entre os anos de 2011 e 2016, nada menos que 23.626 policiais militares entraram em Licença Para Tratamento de Saúde (LTS) no âmbito da Polícia Militar do Ceará. Em média, foram 3 mil licenças por ano, num universo de aproximadamente 16 mil homens. O número é considerado muito alto pelos especialistas. E grande parte de tais licenças médicas diz respeito a problemas psicológicos. A carga de estresse dos homens que estão nas ruas para defender a sociedade é grande. Há casos na tropa em que policiais estão afastados das funções há mais de seis anos. Atualmente, cinco psicólogos atuam na PM cearense para dar assistência necessária ao contingente. É pouco. Pensando nisso, o Comando e a própria Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) estão em busca de convênios e parcerias para disponibilizar mais especialistas e tornar mais efetiva a assistência psicossocial na Corporação.

GUERREIRAS DE PRIMEIRA LINHA

Terminou no fim de semana passado o Primeiro Curso Tático Policial Feminino. De 24 policiais civis, militares e federais e peritas inscritas inicialmente para a jornada de treinamentos, apenas 13 chegaram ao fim das atividades e concluíram o curso, sendo seis da Polícia Militar (PM), quatro da Polícia Civil (PC), duas da Polícia Federal (PF) e uma da Perícia Forense do Ceará (Pefoce). As “Athenas”, como foram batizadas, agora formam um grupo especial de mulheres devidamente treinadas para situações policiais de altíssimo risco. Durante um mês de treinamentos, elas passaram por aulas de combate em ambiente confinado, controle de distúrbios civis, direção veicular (de emergência), sobrevivência policial, operações aéreas, e até rapel tático policial. Suportaram uma carga de 122 horas/aulas e “muito acocho”, como se diz no linguajar policial. Agora, estão aptas para enfrentar o crime. Bem preparadas mesmo.

E TEM MAIS!!!

* Começou na comunidade Goiabeiras o atendimento à população que busca a prestação de serviços sociais, como expedição de carteira de identidade, cursos profissionalizantes, encaminhamento para tratamento antidrogas e mediação de conflitos, entre outros. Faz parte do PMPU.

* A Justiça poderá disponibilizar para o aparato da Segurança Pública do Ceará o helicóptero utilizado pela facção criminosa PCC na morte de dois chefões da quadrilha, em Aquiraz. A aeronave, portanto, deixaria de servir ao crime para atuar como instrumento no combate à violência e para salvar vidas.

* Depois de anos e anos de abandono, finalmente, o Quartel da Polícia Militar situado na Praça José Bonifácio, no Centro, está sendo reformado. Ali funcionam o Comando do Policiamento da Capital (CPC), o Comando de Policiamento Especializado (CPE), dentre outros órgãos da corporação.

* Controladoria Geral de Disciplina está abarrotada de serviço. Nos últimos dois meses aumentou a demanda de inquéritos e sindicâncias instauradas para apurar supostos crimes, irregularidades funcionais e desvios de conduta de agentes da Segurança Pública cearense.

* Missa de 7º Dia na Igreja da Glória, na Cidade dos Funcionários, realizada na última segunda-feira (18), lembrou a morte da vendedora e administradora de empresas Gisele Távora Araújo, 42 anos, que morreu em decorrência de um tiro disparado por um policial militar durante uma abordagem.

* Delegacias distritais e da Região Metropolitana estão caindo aos pedaços. Em algumas delas, os policiais comemoram o fim do período de chuvas, pois as unidades inundam quando cai um toró. Muitas aguardam reforma há anos.

* Dizem que a Força-Tarefa enviada ao Ceará pelo governo federal está trabalhando silenciosamente e que o resultado desse trabalho vai “derrubar” muita gente poderosa. O trabalho de investigação diz respeito às facções e ao crime organizado. Quem viver, verá!

* E A PERGUNTA DO DIA: É verdade que vem por aí um escândalo nacional sobre desperdício milionário de dinheiro público na compra de equipamentos para a Segurança Pública do Ceará???

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