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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2018

4.533 em 7/12/2018  

Violência será foco dos debates políticos na campanha eleitoral 2018 no Ceará

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SIRENE ABERTA   

Fernando Ribeiro

Novas viaturas

Centenas de novas viaturas fazem parte dos investimentos milionários na Segurança Pública 

A violência será o tema-chave da propaganda eleitoral e dos debates entre candidatos. Não poderia ser diferente. O Ceará está mergulhado numa crise de insegurança que já dura quase 10 anos, mas que chegou à sua fase aguda a partir do ano passado, quando as facções criminosas decidiram impor duas regras no modo de viver das pessoas nas comunidades e até mesmo a dar as ordens no Sistema Penitenciário. No último fim de semana ficou evidenciado o descontrole da Segurança, quando cerca de 60 pessoas foram mortas em pouco mais de 72 horas. Um verdadeiro banho de sangue.

TEMA DE CAMPANHA

Com a aproximação das eleições, críticos do atual governo vão alimentar a polêmica sobre a Segurança acerca dos milionários investimentos feitos nos últimos meses pelo governador Camilo Santana (PT). Investimentos que, neste primeiro momento, não apresentam resultados eficazes. O nível da criminalidade registrado no ano passado no Ceará, com cerca de 5.332 assassinatos, pode se repetir até o fim de 2018. Nas áreas periféricas da Capital cearense, as cenas de mortes violentas viraram rotina. O volume de homicídios supera em muito a capacidade da Polícia Judiciária (Civil) de apurá-lo. Assim, na esteira do tempo vão ficando para trás dezenas e dezenas de crimes e seus autores tornando-se impunes. As delegacias distritais estão abarrotadas de inquéritos inconclusos, a exemplo do que acontece na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). São pilhas e pilhas de papel, inquéritos instaurados para apontar os autores dos crimes, mas que caminham em direção à impunidade de seus autores.

NA CONTA DA DHPP

Pegou muito mal para a Polícia Civil cearense um assassinato ocorrido a poucos metros da sede da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoas (DHPP), na tarde da última sexta-feira (24). Um homem que havia se apresentado espontaneamente àquele órgão para ser ouvido acerca da morte de três policiais militares, acabou fuzilado em plena Praça da Igreja de Nossa Senhora de Fátima, na Avenida 13 de Maio. Álisson Rodrigo da Silva Rodrigues, 32 anos, decidiu ir até a DHPP na companhia do pai para depor. Seu nome surgiu nas redes sociais como sendo um dos envolvidos na morte dos PMs, na Vila Manuel Sátiro. Temendo o pior, ele decidiu ir ao encontro da Polícia para explicar que nada teve a ver com a morte dos militares. Não tinha antecedentes criminais. Era ficha limpa. Passou horas à espera do depoimento. Não foi ouvido. Por volta do meio-dia, pediu permissão para ir almoçar e seguiu com o pai até a Praça da Igreja de Fátima (a um quarteirão da DHPP). Estava sentado em plena praça aguardando a comida, quando foi surpreendido e morto com vários tiros na cabeça. De quem é a conta deste assassinato?

MORTE DE POLICIAIS

Os números são catastróficos. Em três anos e oito meses do atual governo, nada menos que 91 agentes da Segurança Pública foram assassinados no Ceará. Um recorde. Na estatística, o maior número de vítimas é de policiais militares. Foram 66. Além deles, nove policiais civis, nove guardas municipais, quatro agentes penitenciários, dois policiais rodoviários federais e um bombeiro militar. O pior ano, neste intervalo, foi 2016, quando 34 agentes (26 PMs, três policiais civis, dois policiais rodoviários e três agentes penitenciários) foram mortos no estado. As três mais recentes vítimas foram os PMs mortos no bairro Vila Manuel Sátiro, em Fortaleza, na tarde da última quinta-feira (23). Os militares foram fuzilados em um crime ordenado de dentro de um dos presídios do Complexo Penitenciário de Itaitinga, a CPPL 2. Sem bloqueio, os celulares continuam sendo o principal instrumento usado pelos chefes de facções criminosas para ordenar a seus “soldados” fora do presídio a cometer as execuções sumárias. A pergunta é: Até quando?

AGENTES EXPULSOS

Em duas semanas, duas notícias sobre a expulsão de agentes da Segurança Pública de suas casas. A primeira, de um policial civil aposentado que se viu obrigado a deixar a residência diante das ameaças de criminosos. A “mudança” foi feita com a proteção de policiais da Unidade Tático-Operacional (UTO) da Divisão Antissequestro (DAS). Agora, é a vez de um oficial da Polícia Militar, um major comandante de um batalhão da PM no Interior. Sem reservas, ele colocou nas mídias sociais seu temor de uma ação criminosa por parte de bandidos que dominam a Favela Vertical, no bairro onde o PM reside com a família. Depois de ameaças veladas aos policiais que moram no bairro, vieram as intimidações explícitas: pichações em forma de desenho de palhaços, que na linguagem policial significa matadores de policiais. O major decidiu não arriscar e falou que vai mudar de endereço, por temer que algo aconteça à sua família. As opiniões sobre sua atitude se dividem.

CIRO E A POLÍCIA

O presidenciável Ciro Gomes (ex-governador do estado do Ceará) não perde oportunidade nenhuma para denegrir a imagem da Polícia Militar. Depois de chamara a tropa de “bando fardado” e de “milícia fardada”, agora diz que a PM é “frouxa”. Esquece que uma das maiores derrotas na Segurança Pública aconteceu na gestão do seu irmão, Cid Gomes, ao implantar o projeto Ronda do Quarteirão. O fracasso aconteceu no plano operacional e no financeiro. Foi na época do Ronda que as estatísticas da criminalidade começaram a subir sem parar. E foi na gestão Ferreira Gomes que o escândalo das Hilux emergiu. Ao deixar o Palácio da Abolição, no final de 2014, Cid entregou ao seu sucessor uma Segurança Pública em situação difícil, e que só veio a pior nos anos seguintes. O resultado está aí nas ruas, o Ceará dominado pelas facções criminosas.

E TEM MAIS:

* Circula nas redes sociais, desde o último fim de semana, mais um texto com ameaças de ocorrer uma nova onda de atentados criminosos em Fortaleza. O tal “Salve Geral” seria da facção criminosa Comando Vermelho (CV), que promete ataques a órgãos e veículos da Segurança Pública.

* A avalanche de crimes ocorrida na semana passada no Ceará atingiu, particularmente, uma cidade do Interior: Juazeiro do Norte. Nada menos, que 12 assassinatos ocorreram ali em menos de 24 horas. Muito trabalho, daqui para frente, para a Polícia Civil de lá, esclarecer os 12 crimes.

* Associação dos Delegados da Polícia Federal no Ceará vai realizar entre os dias 4 e 6 próximos um grande evento no estado,:um seminário que vai tratar da investigação do crime organizado, especialmente no quesito corrupção de agentes públicos e políticos.

* “Flanelinhas” que atuam nas ruas e avenidas da Praia de Iracema continuam extorquindo os donos de veículos. Exigem dinheiro e fazem ameaças. Chegam até a estipular o valor que o motorista tem que pagar para deixar seu automóvel em via pública. Cadê a Polícia ???

* Conselho de Disciplina e Ética da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Ceará, deve julgar seis advogados que teriam, supostamente, envolvimento com o escândalo da venda de sentenças e liminares durante os plantões de desembargadores no Tribunal de Justiça do Ceará.

* Muita revolta e indignação no seio da tropa da Polícia Militar diante dos recentes assassinatos de três de seus integrantes. Somente neste ano, já foram mortos no Ceará nove PMs. Isso sem contar as dezenas que sofreram ataques a tiros e precisaram ir parar nos hospitais.

* E A PERGUNTA DO DIA: Até quando os policiais cearenses estarão na mira das facções???

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