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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2018

4.617 em 13/12/2018  

Ministério Público investiga "maquiagem" nas estatísticas oficiais de assassinatos no Ceará

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SIRENE ABERTA   

Fernando Ribeiro

André Costa 3

Em coletivas de Imprensa todos os meses, o o secretário André Costa diz que os índices de assassinatos estão caindo no Ceará. O Mapa da Violência mostra números bem acima dos oficiais

O Ministério Público Estadual (MPE) decidiu agir, e o secretário da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará, delegado federal André Costa, é alvo de uma investigação do MP. Promotores querem saber a razão da Pasta “maquiar” os números da criminalidade no estado. André e seus assessores terão que se explicar, do contrário, pode haver punição através de processo por improbidade administrativa. NO ano passado, segundo o Mapa da Violência no Brasil, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 5.332 pessoas foram assassinadas no Ceará, mas a SSPDS informou que foram 1.134. O MP quer saber onde foram parar 198 defuntos!

MAQUIAR É A ORDEM?

A polêmica em torno da “maquiagem” dos números da violência apresentados pela SSPDS não é de hoje. Governos costumam apresentar para a população números bem aquém da realidade, como forma de não elevar a sensação de insegurança reinante em cada estado. No entanto, essa estratégia está perto de acabar com a criação do Ministério da Justiça e da Segurança Pública. O Governo Federal vai uniformizar a metodologia nacional de contagem dos dados da criminalidade, especialmente os homicídios. Assim, cada estado terá que seguir o padrão imposto para não perder verbas federais no setor. No Ceará, crimes de morte ocorridos dentro do Sistema Penitenciário e aqueles decorrentes de intervenção policial não são inseridos na estatística apresentada à Imprensa todos os meses e que viram manchetes nos jornais locais. A ordem é excluir o máximo possível para declarar que a violência está caindo através da redução dos Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs). Isso se intensifica em períodos de eleição, como a atual.

SETEMBRO AMARELO

Mês de setembro está indo embora, mas o Ministério da Saúde intensifica a campanha pela prevenção ao suicídio, tema que ainda hoje é tabu e evitado pela Imprensa. Segundo dados revelados pelo órgão nesta quinta-feira (20), no Brasil, o suicídio é quarta causa de morte de jovens. No ano passado, 11 mil pessoas ceifaram a própria vida no país, um suicídio a cada 46 minutos, segundo os cálculos do MS. As principais causas de tanta gente se matar são: desemprego, violência doméstica e violência de gênero, além da depressão. As doenças mentais estão diretamente relacionadas com este tipo de fenômeno. Por conta de tudo isso, o governo federal decidiu investir pesado na prevenção. Desde 1º de julho tornaram-se gratuitas as ligações para as Centrais de Valorização da Vida (CVV). Somente no ano passado foram atendidas 2,5 milhões de ligações. Outra medida do governo foi credenciar 109 Centros de Tratamento, em 20 estados. É o Setembro Amarelo, que busca reduzir esses tristes números.

O RETRATO DO DHPP

Um documento que “vazou” para alguns setores da Imprensa, nas últimas horas, revela a quanto anda a investigação de crimes no Ceará e a precariedade do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), principal órgão da Polícia Judiciária cearense destinado a apurar assassinatos. O documento foi encaminhado por uma delegada ao Ministério Público Estadual (MPE) e descreve as más condições de trabalho dos agentes da DHPP. Num dos trechos, a delegada que assina o oficio diz que “esta delegacia possui uma estrutura física precária, tendo em vista que divide o cartório da 4ª DH (Delegacia de Homicídios) com a 1ª DH, bem como, a ausência de equipamentos e de efetivo inviabiliza o andamento rápido de inquéritos policiais. Conta, atualmente, com apenas uma escrivã de Polícia para ajudar nos trabalhos policiais e cartorários, o que é por demais insuficiente, pois até mesmo nos procedimentos novos não está sendo possível acompanhá-los com a devida atenção, o que traz uma preocupação constante...” Precisa comentar???

TRAGÉDIA DO TRÂNSITO

Mais de 50 pessoas morreram em acidentes de trânsito nas três primeiras semanas de setembro no Ceará, a maioria absoluta nas estradas. Somente no “feriadão” do 7 de Setembro (Independência), foram 16. A imprudência e a negligência se somam à imperícia e o resulta desses três fatores são números trágicos nas estatísticas dos órgãos do setor. Se no Ceará a situação preocupa, no Brasil a coisa é alarmante. Somente entre janeiro a abril, nada menos, que 530 mil motoristas tiveram suas Carteiras de Habilitação (CNH) suspensas em todo o País. No ano passado, foram mais de um milhão de documentos retidos pelos Detrans estaduais. Também em 2017, 45 mil pessoas morreram em acidentes de trânsito e outras 300 sofreram lesões consideradas graves. As infrações mais recorrentes e que causam tantas mortes e seqüelas são as relacionadas ao excesso de velocidade, ultrapassagem indevida e o uso de bebida alcoólica pelos condutores. Outro grande fator é a morte de motociclistas pelo não uso do capacete. Além da tristeza pelas mortes, os acidentes causam graves prejuízos financeiros ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A VIOLÊNCIA DE CADA DIA

Um motorista de aplicativo morto durante uma briga de trânsito, um paciente fuzilado dentro do hospital público enquanto aguardava atendimento médico, mãe e filha mortas a facadas dentro de casa, homem assassinado a facadas em um culto evangélico, um jovem fuzilado após participar do velório do amigo. Todas estas cenas de violência aconteceram em apenas uma semana no Ceará. O cotidiano da criminalidade no Ceará é este. O dia a dia da violência já não sensibiliza mais as autoridades. Serve apenas para alimentar a pauta dos programas policiais. Nesta sexta-feira (21) o Homicidômetro (contador de homicídios) já registra mais de 3.600 casos neste ano. Faltando ainda três meses para 2018 terminar, não é impossível que os números finais da violência superem os de 2018. A guerra diária travada nos becos e ruas da periferia da Capital e da Região Metropolitana de Fortaleza multiplica as estatísticas criminais. Os confrontos entre membros de facções seguem firmes turbinando os índices dos CVLIs (Crimes Violentos, Letais e Intencionais) em todo o estado.

E TEM MAIS!!!

* Projeto Oficial de Polícia Judiciária (OPJ), que visa a unificação dos cargos de inspetores e escrivães da Polícia Civil, reduziu o número de homicídios em Aracati e aumento em cerca de 150 por cento o número de mandados de prisão cumpridos entre julho e agosto em comparação a 2017.

* O Oficial de Polícia Judiciária (OPJ) é um projeto criado pelo Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpol) para dar mais efetividade à atividade policial. Atualmente, segundo a entidade, apenas dois por cento de Boletins de Ocorrência (B.O.) registrados geram a instauração de inquérito.

* Repercutiu negativamente na Imprensa nacional a tal história do “Pernoite do Amor”, uma autorização que a Secretaria da Justiça do Ceará decidiu dar aos milhares de presos confinados em 13 presídios do estado para que as suas mulheres passem a noite de sábado para domingo com eles.

* São “cabeludas” as descobertas que a Polícia já fez investigando a morte do presidente da Câmara dos Vereadores da cidade de Horizonte, José Roberto de Oliveira Martins. As vertentes para a elucidação do assassinato vão desde agiotagem a “acerto de contas” do tráfico e outras coisas mais.

* E a cidade de Sobral está “pegando fogo”. Nesta sexta-feira, dois homens foram assassinados no intervalo de apenas uma hora, logo no começo da manhã. Entre os mortos estava um dos “Irmãos Coragem”, família temida no Município pó r envolvimento em muitos crimes e com a política.

* Diante de tanta bagunça e de crimes, como roubo de veículos, assaltos, brigas de bar, som em alto volume etc, a guarda da sede da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) aumentou. O efetivo de policiais a pé e em viaturas foi reforçado.

E A PERGUNTA DO DIA: De quem partiu mesmo a idéia de promover o “Pernoite do Amor” nos presídios cearenses???

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