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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

1.299 em 19/7/2019  

Futuro governador terá o desafio de fazer o Ronda do Quarteirão voltar a ser modelo de Polícia cidadã

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Um documento que está nas mãos do governador eleito Camilo Santana (PT) deverá ajudar a balizar os planos para a reconstrução da Segurança Pública do Estado no próximo governo. Não se trata de nenhum conceito de gestão específico para o setor, mas o resultado de um estudo feito pelo Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE). Nele, há indicativos que podem ajudar o futuro governador a retomar um dos ideais de seu antecessor, o governador Cid Gomes, quando este implantou no Ceará o programa de Polícia Cidadã, através do Ronda do Quarteirão, que seria uma “saída” para conter o avanço da criminalidade no estado. Hoje, o cidadão sequer sabe mais o número de telefone da patrulha do seu bairro.

O estudo se baseia numa auditoria feita por técnicos do Tribunal de Contas em novembro de 2012. Os resultados revelam que o Ronda do Quarteirão apresentava, na época, uma série de problemas que até hoje persistem. São, principalmente, “desvios” de função do programa original. Nos últimos anos, o Ronda deixou de ser um programa voltado para a polícia cidadã e tornou-se apenas mais uma unidade policial de ação ordinária, assim como é o Policiamento Ostensivo Geral (POG).

Um exemplo disso é a constatação de que 72 por cento das ocorrências policiais registradas em Fortaleza e sua Região Metropolitana são atendidas pelas patrulhas do Ronda e destas, 77,6 por cento foram realizadas em cumprimento aos chamamentos – via rádio - da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops). Portanto, para uma melhor compreensão do público, basta dizer que apenas 28 por cento das ocorrências policiais na Grande Fortaleza são atendidas pelos batalhões e companhias do Policiamento Ostensivo Geral (POG), aquelas unidades de bairros.

Outro problema, segundo o estudo do TCE, são as precárias condições de que dispõe o Ronda do Quarteirão para a execução de seu trabalho. Ainda na época, ficou constatado que viaturas do programa das cidades da Região Metropolitana de Fortaleza eram constantemente retiradas de suas áreas originais para cobrir lacunas na Capital.

Mudanças

O resultado da auditoria pode ter contribuído para que Camilo Santana, em seus pronunciamentos durante a campanha eleitoral e, depois de eleito, tenha afirmado que o Ronda deverá sofrer “mudanças”. Ao mesmo tempo, Santana anunciou outras mudanças para a Segurança Pública, como a ampliação do efetivo do Batalhão Raio; reformulação na sistemática de promoções na PM e valorização profissional nos campos salarial e de formação. Em uma política ainda mais ampla contra a violência, o governador eleito deverá implantar um programa intensivo de prevenção e combate às drogas, denominado de "Abraça Ceará".

Veja agora os principais pontos observados pela auditoria do TCE em relação ao Ronda do Quarteirão:

1 – 71,43% dos representantes dos Conselhos Comunitários de Segurança afirmaram que os policiais do Ronda habitualmente não costumam ser vistos e identificados pela comunidade.

2 – 41,18% dos comandantes (de companhias do Ronda) entrevistados na auditoria e 28,57% dos representantes dos Conselhos Comunitários de Segurança entendem que a frota de viaturas do Ronda não está sendo suficiente para o policiamento preventivo.

3 – Todos os comandantes entrevistados afirmam que as equipes do Ronda demandam muito tempo nas delegacias para o registro de flagrantes.

4 – Existe, portanto, uma falta de sinergia entre a Polícia Civil e a PM, notadamente, nos casos em que se faz necessária a lavratura de flagrante.

5 – 65,49% dos policiais do Ronda entrevistados disseram que não procuram apoio de lideranças comunitárias para a solução dos problemas ligados à Segurança Pública nas comunidades onde atuam. 74,29% dos representantes dos Conselhos Comunitários corroboram com esta conclusão.

6 – Alto índice de rodízio dos policiais do Ronda entre as diversas áreas de cobertura do programa.

7 – Policial pouco envolvido com a vida da comunidade e sem conhecimento da realidade da mesma.

8 – Na visão de 77,25% dos policiais entrevistados, 58,82% dos comandantes e 66,67% dos representantes dos Conselhos, a população não sabe qual o papel do policial comunitário.

9 – 56,19% dos representantes dos Conselhos, indagados sobre o que deveria mudar no Ronda, responderam que o programa deveria voltar à prática do policiamento comunitário. 53,69% dos policiais entrevistados têm a mesma opinião.

E o principal:

- 54,90% dos policiais entrevistados, 47,06% dos comandantes entrevistados e 46,67% dos representantes dos Conselhos afirmaram que a população não está satisfeita com a atuação do Ronda do Quarteirão.

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