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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

1.681 em 13/9/2019  

Impunidade no Jaguaribe: fazendeiro acusado de matar o pai adotivo e preso com armas já está solto outra vez

Telsângenes Diógenes

Telsângenes Diógenes teria morto o pai para ficar com a herança: terras e muito dinheiro

Telsângenes armas

Diversas armas de fogo e munições foram apreendidas pelo BPMA na fazenda do acusado

Durou menos de 24 horas a prisão de um fazendeiro flagrado com um arsenal em sua propriedade rural e processado por ter assassinado o pai adotivo para ficar com uma herança que incluía terras e muito dinheiro. Francisco Telsângenes Diógenes, preso em flagrante na última quarta-feira (21), pagou fiança na Delegacia Regional de Polícia Civil da cidade de Jaguaribe (a 308Km de Fortaleza) e voltou à liberdade rapidamente.

A rápida soltura do fazendeiro causou surpresa na região do Vale do Jaguaribe. Levados por uma denúncia anônima, policiais do Batalhão de Policiamento do Meio Ambiente (BPMA) foram até a fazenda de Telsângenes, no Sítio Lagoa Redonda, na zona rural do Município de Ererê (a 315Km de Fortaleza) e encontraram várias armas, entre elas, uma pistola de calibre 380 roubada, além de vários rifles e espingardas, munições de diferentes calibres e também um pássaro silvestre criado ilegalmente em cativeiro.

Todo o material foi encaminhado à Delegacia Regional de Jaguaribe, sendo o fazendeiro autuado em flagrante pelos crimes de posse ilegal de armas de fogo e munições, receptação e crime contra o meio ambiente. Mesmo assim, no outro dia já estava novamente solto. A Justiça o considera de alta periculosidade.

Matou o pai

Telsângenes já foi pronunciado pela Justiça e aguarda em liberdade ser levado a julgamento pelo assassinato de seu pai adotivo. O crime ocorreu no dia 31 de dezembro de 2019 em uma das propriedades rurais do pai, a Fazenda Campos, em Ererê. O pai adotivo dele era o fazendeiro, agropecuarista e político, Antônio Mardônio Diógenes Osório, ex-prefeito do Município de Pereiro (a 346Km de Fortaleza).

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o crime teve como fim o enriquecimento ilícito de Telsângenes. Juntamente com o vaqueiro e motorista Francisco Rodrigues de Queiroz, o filho assassinou o pai para ficar com as terras e o dinheiro. Na época do crime, Mardônio havia recebido uma indenização no valor aproximado de R$ 2 milhões por uma desapropriação para a construção de um açude público em suas terras.

Na época do crime, o ex-prefeito havia revelado para a filha legítima, Mardênia Aquino Diógenes, e para a irmã, Maria Santelma Diógenes, que vinha sofrendo constantes ameaças do filho adotivo.

Telsângenes, na verdade, era filho de um irmão de Mardônio, mas foi adotado pelo tioe sua esposa, Maria das Graças de Aquino Moreira. Em 2002, a mãe natural de Telsângenes, Zulene Pontes Martins (cunhada do ex-prefeito), moveu um processo de anulação da adoção e teve êxito na Justiça. Diante disso, Mardônio decidiu excluir Telsângenes de sua herança, culminando em ameaças e no assassinato.

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