Levando a sério o jornalismo 24 horas por dia.

Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

1.681 em 13/9/2019  

Nove dias após ação desastrosa da CGD, com PM baleado pelas costas, "pedido de ajuda" ao Ministério Público não aconteceu

CGD 10

Apesar de ser um órgão meramente disciplinador, a CGD tem agido como uma unidade policial, investigando crimes comuns praticados por policiais, prendendo e afastando servidores da Segurança Pública

Nove dias após a operação desastrosa realizada por agentes da Delegacia de Assuntos Internos (DAI), da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD), a investigação sobre o fato está restrita ao próprio órgão que afirmou que pediria “ajuda” ao Ministério Público Estadual (MPE) para esclarecer o fato. Durante uma investigação, os agentes da DAI feriram gravemente com um tiro nas costas um PM que havia sido denunciado ao órgão por crime de extorsão.

O inquérito contra o cabo PM Francisco Thiago Gomes da Silva foi instaurado a partir de sua prisão em flagrante na noite do último dia 20. Mesmo baleado e estando no hospital, ele foi autuado em flagrante pelo delegado Raul Téssius Soares (plantonista na DAI), pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo (artigo 16 do Estatuto do Desarmamento) e extorsão (artigo 158 do Código Penal Brasileiro).

No dia seguinte, em Nota à Imprensa, a direção da CGD informou que iria pedir o auxílio do MP para “apurar” o incidente que deixou o militar ferido. No entanto, ainda nesta terça-feira (27) a assessoria jurídica da Associação das Praças Militares do Estado do Ceará (Aspra) manteve contato com promotores do Núcleo de Investigação Criminal (Nuic), órgão da Procuradoria Geral de Justiça do Estado do Ceará (PGJ-CE), e foi informada que não houve qualquer comunicação da CGD com o órgão a respeito do assunto.

Baleado nas costas

Já a prisão do cabo suspeito de extorsão foi comunicada à Justiça ainda na noite em que ocorreu o incidente , quando o militar foi atingido com o tiro nas costas durante abordagem de uma equipe da CGD/DAI na Avenida Matos Dourado (Perimetral), no bairro Antônio Bezerra (Zona Oeste da Capital).

No dia seguinte ao fato, a CGD em sua Nota à Imprensa afirmou que os agentes atiraram no PM porque este estava de arma em punho e teria se virado para, supostamente, atingi-los a tiros. No entanto, dois dias depois, um vídeo da abordagem desastrosa mostrou que a versão apresentada pela CGD não condiz com o que realmente aconteceu. Ao ser abordado pelos agentes da CGD (sem identificação física, apenas verbal), o militar tratou de fugir e acabou sendo atingido com o tiro nas costas.

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar