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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

1.681 em 13/9/2019  

Áudios revelam tramas criminosas planejadas por policiais militares, traficantes de drogas e assaltantes

Maçãs podres

Áudios obtidos através da quebra de sigilo telefônico autorizado pela Justiça, levaram o Ministério Público Estado (MPE-CE), através do seu Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), obter provas robustas contra uma quadrilha formada por traficantes de drogas, assaltantes e policiais militares corruptos. Vinte e uma pessoas – entre elas, 10 PMs, estão presas. A investigação foi batizada de “Operação Maçãs Podres”. O blogdofernandoribeiro.com.br obteve com exclusividade parte dos áudios interceptados pelo MP.

Os diálogos revelam as tramas montadas pela quadrilha, cujo líder, segundo os promotores da Gaeco, é um sargento da PM, identificado como Jeovane Moreira Araújo (já preso). Em desses diálogos interceptados pelo MP, com a colaboração da Coordenadoria Integrada de Inteligência (Coin), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), o militar combina com um bandido a prisão de um comerciante dono de uma pizzaria que estaria de posse ilegal de duas armas de fogo. A interceptação telefônica foi realizada através do sistema “Guardião”, instalado na SSPDS, que localiza as linhas e grava as ligações.

No entanto, o objetivo não era a simples prisão de um infrator da lei. A quadrilha planejava, na verdade, se apossar das armas e ainda extorquir o comerciante e, após receber a propina, liberá-lo, evitando, assim, uma prisão em flagrante.

Em outra situação, o militar e bandidos combinam uma venda de drogas, que eles denominam de “amarela”, isto é, maconha. O esquema de tráfico também envolveu policiais militares.

Contudo, o início da investigação que resultou na descoberta da quadrilha foi o roubo de armas de fogo nas dependências da Base Aérea de Fortaleza, em maio de 2016. Fuzis e pistolas, além de carregadores e munições, foram desviadas daquela unidade da Força Aérea Brasileira (FAB), e acabaram indo cair nas mãos de uma facção criminosa. Militares foram identificados e presos, além de processados e expulsos da instituição.

Um dos soldados envolvido com a quadrilha teria recebido em troca das armas, um apartamento invadido pelos criminosos.

Pedido por um “irmão”

Em um dos diálogos, um dos criminosos que chefiava o lado dos bandidos na quadrilha pede ao sargento Jeovane que interceda para que um “irmão” da facção não seja identificado e preso nas investigações sobre o roubo das armas na Base Aérea. Esse bandido era o traficante de drogas Leandro de Sena Braga, que, misteriosamente, foi assassinado no dia 28 de maio de 2017, exatamente um ano depois do roubo do armamento militar. Para o MP não há dúvidas de uma “queima de arquivo”.

Na última sexta-feira (30), foi deflagrada a segunda etapa da “Operação Maçãs Podre” e, pelo menos, mais 10 pessoas foram presas, além de cumpridos vários mandados de busca e apreensão. Os PMs envolvidos com a quadrilha estão reclusos no Presídio Militar, na Capital.

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