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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará 2018

3.564 Em 18/9/2018  

Deputado Vitor Valim critica governo que tenta emplacar na população uma "falsa sensação de segurança no combate aos homicídios no Ceará"

Vitor Valim

Todos os meses a cena se repete. Na primeira terça-feira de cada mês o governador Camilo Santana (PT) deixa seu gabinete no Palácio da Abolição e vai se reunir com a cúpula da Secretaria da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, lá na Avenida Bezerra de Menezes. A Imprensa também é chamada para fotografar, filmar e receber os resultados dessas reuniões. No final, a mesma cantilena: “estamos reduzindo a violência”, ou pior ainda: “neste mês salvamos ... vidas”.

Para quem acompanha o dia a dia das ocorrências policiais e os registros das unidades da Polícia Civil e da PM, essas declarações mensais do chefe do Governo Estadual e da cúpula da SSPDS sabe que se trata de uma forma de tentar aplacar a sensação de medo e da violência que se espalha pelas ruas da Capital, da Região Metropolitana e do Interior.

E para aplacar os números reais dos assassinatos, batizados pela SSPDS de “Crimes Violentos, Letais e Intencionais”, ou simplesmente CVLIs, a instituição adotou algumas “estratégias” . São elas:

1ª Estratégia: Nos fins de semana e feriados prolongados, a SSPDS deixa de divulgar os registros dos homicídios e latrocínios no Interior do Estado com a repetida desculpa assim postada em seu site: “Informamos que, em virtude de problemas técnicos, o relatório das ocorrências no Interior Norte e Sul (Fonte: CPI) não foi recebido até o fechamento deste resumo”.

2ª Estratégia: Por determinação da SSPDS, a Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) deixou de inserir na planilha dos corpos que são encaminhados à Coordenadoria de Medicina Legal a causa do óbito. Portanto, não há informação sobre o que causou a morte das vítimas.

3ª Estratégia: à cada primeira terça-feira do mês a SSPDS divulga os resultados definitivos das estatísticas dos CVLIs do mês anterior, mas, enquanto isso, no site da própria instituição os relatórios indicam que as estatísticas não estão concluídas. Ali está escrito: “dados preliminares sujeitos à alteração”.

Sobre o assunto, o deputado federal Victor Valim publicou um artigo na Imprensa nesta segunda-feira (8) que vale a pena ser visto e analisado.

Leia o artigo:

A ressureição dos mortos na estatística do Ceará

Dona Neuza da Silva ainda lembra do beijo na testa que recebeu do filho Ozanir Bernardo, no final de abril. Minutos após o gesto de carinho, o rapaz estava morto em frente à sua residência, no bairro Pirambu, com vários tiros pelo corpo.
Naquele mesmo mês, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social comemorou o número de 1.085 mortes violentas intencionais no primeiro trimestre do ano, ao acreditar em uma redução de 13,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Nos dois meses que se seguiram, nova comemoração, apesar de mais algumas centenas de homicídios no Estado.
Tão cruel quanto a dor de quase duas mil famílias que perderam seus entes, somente este ano, é a tentativa de uma falsa sensação de segurança e combate ao número de homicídios no Ceará, diante de uma metodologia equivocada por parte do órgão de segurança competente.
Diferente aos índices de uma retomada de emprego com carteira assinada, por exemplo, quando pessoas que perderam suas atividades podem voltar ao mercado de trabalho, os mortos na estatística da SSPDS não retornam à vida.
Em um comparativo a grosso modo, é como se as vítimas de homicídios fossem palitos em uma caixa de fósforos, quando cada unidade riscada não volta a acender. No universo de uma única caixa de 40 palitos, não é correto afirmar que há uma redução no consumo de palitos na medida em que a caixa se esvazia. Tal “redução” é uma consequência da baixa oferta, diante do próprio uso. Também não é correto afirmar que há uma redução no índice, somente pelo número de palitos usados. Pois, se 10 palitos são usados em um universo de 40 (25% do total), 8 palitos posteriores equivalem mais que os 10 usados anteriormente, por representarem 26,6% do total.
Índices de homicídios ou mortos em guerras podem ser comparados em diferentes épocas, levando-se em consideração, claro, as populações de cada momento na história. Mortos de uma mesma geração devem ser somados. E não utilizados como números de uma mesma época, como forma de maquiar suas próprias desventuras.
A memória de milhares de cearenses agradece

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