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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2020

2.157 em 19/06/2020

Inquérito é concluído, mas Polícia vai reconstituir o assassinato de mãe e filha em Paracuru

preso

Marcelo Barberena permanece preso na DHPP depois de confessar o crime

Socorro Portela

Delegada Socorro Portela apurou o caso e tomou 60 depoimentos

A Polícia Civil entregou à Justiça, nesta terça-feira (1º), o inquérito  que apurou o duplo assassinato ocorrido na madrugada de 23 de agosto último na cidade de Paracuru, no litoral oeste do estado (100Km de Fortaleza). A contadora Adriana Moura Pessoa de Carvalho Moraes, 38 anos; e sua filha caçula, a pequena Jade Pessoa de Carvalho Moraes, 8 meses de vida, foram mortas, a tiros, quando dormiam.  Ainda assim, as autoridades deverão realizar uma reconstituição do caso nos próximos dias.

O marido de Adriana e pai de Jade, o gaúcho Marcelo Barberena de Moraes, foi o único indiciado.  Réu confesso do crime, ele permanece preso na carceragem da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), onde foi ouvido, pelo menos, seis vezes nas investigações presididas pela delegada Socorro Portela, diretora daquele órgão.

“Ele pensou: vou simular um assalto e o ladrão matou a Adriana e a Jade, pois como um pai pode matar uma filha? Na cabeça dele, iria ficar com a vilha mais velha e a amante. Ele não gostava mais de Adriana, mas não diz por qual motivo não pedia o divórcio”, disse a delegada em coletiva de Imprensa realizada na tarde de ontem na DHPP.

Cerca de 60 depoimentos foram tomados pela delegada no curso das investigações que duraram apenas 10 dias. O intenso trabalho de apuração demandou na ida a Paracuru das equipes da DHPP e da Perícia Forense (Pefoce), pelo menos, três vezes. As diligências na casa de veraneio onde ocorreu o crime permitiram à Polícia derrubar as versões contraditórias apresentadas por Marcelo Barberena  desde o momento em que ele foi preso, em flagrante, na manhã do dia 23. Ele insistia em negar o crime, alegando que a família sofrera um assalto, mesmo com as evidências mostrando o contrário.

No dia 24, a Polícia voltou à casa em Paracuru e fez alguns testes de campo. Percebendo que sua negativa de autoria iria cair por terra, Marcelo decidiu confessar o crime. A arma supostamente  usada para  matar mãe e filha (revólver de calibre 38) foi apreendida pela perita criminal Sônia Silva, da Pefoce,  e exames balísticos comprovaram que foi realmente dela que partiram os tiros que mataram Adriana e  a pequena Jade.

Irmão e cunhada

A delegada afirma que, no andamento das investigações não encontrou nenhuma prova ou indício de que o irmão de Marcelo, o médico gaúcho Rafael Barberena e sua esposa, Ana Carolina Villas-Boas, não tiveram nenhuma participação no duplo homicídio, muito embora tenha sido considerada uma hipótese inicial de que eles teriam cumplicidade com o assassino ao se reportar sobre a versão de um suposto assalto na casa de praia onde foram passar o fim de semana para comemorar o aniversário de Marcelo.

Amante

A DHPP descobriu também que Marcelo tinha uma amante, uma estudante universitária de 23 anos, que havia trabalhado com Marcelo. Ela revelou detalhes do relacionamento e disse que o acusado afirmava ser divorciado. Para a Polícia, a intenção do assassino era matar a esposa e a filha mais velha e ir embora com a amante e a filha mais velha de volta à Porto Alegre. 

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