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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

976 em 27/5/2019  

Tragédia da violência no Ceará deixa dezenas de mulheres mortas a cada ano

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SIRENE ABERTA   

Fernando Ribeiro  

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No ano passado, 479 mulheres foram assassinadas no estado

A violência contra a mulher no Brasil é alarmante. Segundo dados do Ministério da Saúde, são mais de 500 mulheres agredidas a cada hora no país. No Ceará, o quadro não é diferente e pode, sim, ser bem pior. Basta dizer que, em 2018, nada menos, que 479 mulheres foram assassinadas. Na maioria absoluta dos casos, os assassinos permanecem impunes.

No ano passado, crimes se tornaram “emblemáticos” diante da criminalidade que avançou no território cearense. Mulheres jovens, idosas, adolescentes e até meninas acabaram se tornando números na fria estatística dos Crimes Violentos, Letais e Intencionais (CVLIs). Exemplo disso foi a Chacina do Forró do Gago, em janeiro de 2018, quando bandidos da facção criminosa Guardiões do Estado (GDE), armados com fuzis, submetralhadoras, escopetas, pistolas e até granadas, invadiram a casa de shows na comunidade Barrocão, no bairro Cajazeiras, e produziram a maior matança já registrada no estado, com14 pessoas mortas. Entre as vítimas, estavam oito mulheres. Nenhuma delas tinha envolvimento criminal, e foram executadas sumariamente apenas por estarem participando de uma festa ou baile patrocinado pela facção rival da GDE, o Comando Vermelho (CV).

Tortura e morte no mangue

Mas, assim como as oito jovens mortas no “Forró do Gago”, tantas outras dezenas e centenas de jovens foram assassinadas de forma covarde e fria no Ceará no ano passado. O exemplo disso vem da zona Oeste da Capital, onde em janeiro, três garotas foram seqüestradas de dentro de uma casa, na Barra do Ceará, e levadas para o mangue do Rio Ceará, no bairro da Vila Velha. Era a tarde do dia 2 de março. Nara Aline Mota de Lima, Darcyelli Anselmo de Alencar e Ingrid Teixeira Pereira foram severamente torturadas, humilhadas, e mortas por meio de esquartejamento e decapitação. Suas cabeças atiradas na lama do mangue do Rio Ceará e os corpos – aos pedaços – só foram encontrados uma semana depois.

Os exemplos citados acima são pequenas, mas marcantes e destruidoras, histórias do cotidiano das famílias enlutadas pela morte trágica de suas mulheres. Neste dia, 8 de março de 2019, O Ceará tem pouco ou quase nada a comemorar. A violência que dizima dezenas e centenas de mulheres todos os anos no nosso estado ainda fala mais alto, deixando o Ceará em mais uma humilhante posição no ranking da criminalidade brasileira.

E TEM MAIS:

* A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou, nesta quinta-feira (7), que durante o Carnaval foram registrados dois casos de crime por importunação sexual contra mulheres. Os delitos ocorreram em Caucaia e Aquiraz. Os suspeitos podem pegar até 5 anos de cadeia.

* A pedido do governador Camilo Santana (PT), o ministro da Justiça e da Segurança Pública, ex-juiz de Direito Sérgio Moro, determinou que a Força de Intervenção Penitenciária (FIP), permaneça no Ceará por mais 45 dias, auxiliando os agentes penitenciários locais na guarda e custódia nos presídios.

* Já a Força Nacional de Segurança (FNS) foi embora depois de auxiliar a Polícia cearense a conter a onda de ataques criminosos que abalou o Ceará durante os 31 dias de janeiro passado. Nesse período, mais de 300 pessoas, suspeitas de participação nos atentados, foram identificadas e presas.

* Polícia Civil, através da equipe de delegados, inspetores e escrivães do 14º DP (Conjunto Industrial), agiu de forma rápida e eficiente na desarticulação de uma quadrilha que furtou cerca de meio milhão de reais de uma distribuidora de alimentos instalada nas dependências da Ceasa, em Maracanaú.

* A Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD) instaurou sindicância para apurar a morte de um jovem na cidade de Fortim, no litoral Leste do Estado, durante o Carnaval. A família do rapaz, de 19 anos, acusa PMs de o espancarem até a morte.

* Outro episódio que está sendo apurado pela CGD diz respeito a um policial militar ter sido baleado pelos próprios companheiros de farda, na cidade de Paracuru, no Litoral Oeste, também durante o Carnaval. O PM foi atingido por tiros por uma patrulha do Batalhão Raio. Estava armado.

* O governo do estado já começa a se preocupar com o estado mental dos policiais militares cearenses, diante de tantos casos de suicídios e crimes em família praticados pelos PMs. Somente no Carnaval foram vários episódios de morte, atentados e casos de indisciplina.

* A Sexta-Feira Gorda foi triste para a família policial civil do Ceará. Às portas do período de folia, a instituição teve que enterrar dois de seus profissionais, que morreram em um acidente de trânsito. Eram técnicos que atuavam no setor de telecomunicações da PC.

* A caça às bruxas na PM continua: depois da transferência de 14 policiais experientes no Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), o “rodo” passou na Casa Militar, onde 41 oficiais perderam seus cargos. Foram todos exonerados das funções gratificadas. Explicações não convenceram.

* E A PERGUNTA DO DIA: Sede da SSPDS, no bairro São Gerardo, continua com isolamento na Rua Professor Nogueira, prejudicando o comércio local. Medo da volta dos atentados???

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