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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará 2017

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Atualizado em 23/11/2017  

Bandidos incendeiam quatro ônibus na Grande Fortaleza nesta sexta-feira. Polícia prende suspeito de comandar os ataques

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O primeiro atentado ocorreu no bairro Canindezinho. Um ônibus foi rapidamente destruído pelo fogo

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Na casa do homem suspeito de ordenar os atentados, a Polícia encontrou um fuzil AK-47 e outras armas de grosso calibre, além de muita munição

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Francinei Nobre da Silva estaria orquestrando os atentados a mando de comparsas que estão presos em unidades carcerárias da RMF. Ele foi capturado no começo da noite, na Granja Lisboa

 

A periferia da Grande Fortaleza foi sacudida, na tarde desta sexta-feira (13), com uma nova onda de atentados atribuídos pelas autoridades ao crime organizado. Pelo menos, quatro ônibus que faziam linhas entre bairros da Capital e de Maracanaú, foram incendiados por bandidos que ainda estão sendo procurados. Porém, um criminoso que teria ordenado os casos acabou sendo detido pela Polícia Civil.

Os atentados ocorreram nos bairros Canindezinho e Aracapé, na zona Sul da Capital; no Conjunto Timbó, em Maracanaú; e no bairro Vicente Pinzón, na zona Leste da cidade. Em conseqüência disso, no começo da noite, o Sindicato dos Motoristas orientou seus membros a retirar de circulação os coletivos nas linhas mais perigosas.

Com os atentados registrados hoje, subiram para sete os ataques que resultaram em ônibus incendiados na Grande Fortaleza somente neste ano. A ação dos criminosos levou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) a determinar um reforço de policiamento nas áreas consideradas mais críticas.

Sequência

O primeiro ataque de hoje ocorreu por volta das 13 horas, quando bandidos incendiaram e destruíram completamente um ônibus que fazia a linha Jardim Fluminense. Quando o coletivo chegou no fim da linha, na Rua Guilhermina de Lima, na comunidade Planalto Vitória, bairro Canindezinho (zona Sul), surgiram dois bandidos com pistolas nas mãos. Eles ordenaram ao motorista, ao trocador e aos passageiros descerem rapidamente do veículo. “Não viemos assaltar ninguém. Viemos tocar fogo do ônibus!”, teria gritado um dos incendiários, segundo relato do motorista. Em seguida, a dupla derramou gasolina e tocou fogo no coletivo. Ninguém ficou ferido.

Cerca de quatro horas depois, por volta das 17 horas, a Polícia registrou o segundo ataque. Foi no bairro Aracapé, onde mais um ônibus ficou completamente destruído.

Já próximo do começo da noite, ocorreu o terceiro ataque, quando bandidos tentaram incendiar um coletivo no Conjunto Timbó, em Maracanaú. Depois que os vândalos fugiram do local, populares usaram baldes e mangueiras e conseguiram impedir que as chamas se alastrassem pelo ônibus inteiro. Os danos foram parciais, segundo a PM.

O quarto atentado ocorreu já no começo da noite, quando bandidos atacaram um coletivo que fazia a linha Parangaba-Mucuripe. O veículo foi incendiado quando estava parado na Rua Murilo da Silveira, a conhecida "Rua da Feira", no bairro Vicente Pinzón (zona Leste). Segundo o chefe do Comando do Policiamento da Capital (CPC), coronel PM Francisco Souto, os criminosos teriam fugido à pé em direção a uma favela próxima e estão sendo procurados.

Preso armado

Em decorrência dos ataques, o secretário da Segurança Pública do Ceará, delegado federal Delci Teixeira, se reuniu às pressas com seus assessores e determinou a imediata caçada aos criminosos. Não demorou muito, e policiais localizaram no bairro Granja Lisboa um homem que estaria por trás dos atentados. Ele foi preso em sua casa. Trata-se de Francinei Nobre da Silva, que já vinha sendo monitorado pelos setores de Inteligência. A deflagração dos atentados fez as autoridades interromperem a vigilância que era feita sobre o suspeito e efetuada sua prisão imediata.

Na casa do bandido, a Polícia encontrou um arsenal. Entre as armas, havia um fuzil modelo AK-47, uma escopeta de calibre 12, além de duas pistolas e muita munição. O bandido foi imediatamente encaminhado à Delegacia de Roubos e Furtos (DRF).

Conforme o secretário Delci Teixeira, a operação policial não terminou. No momento, o objetivo das autoridades é capturar os bandidos que agiram diretamente nos atentados, isto é, os incendiários. Os atentados, conforme a Polícia, estariam sendo ordenados de dentro de presídios, especialmente da Unidade Prisional do Carrapicho, em Caucaia. Os presos teriam ordenado os atentados para chamar a atenção das autoridades do Sistema Penal, pois, segundo eles, em uma carta deixada em um dos locais de atentado, os presidiários e suas visitas estariam sendo maltratadas.

Ainda segundo a Polícia, FRancinei Nobre é dono de uma extensa ficha criminal, que inclui delitos como homicídio, tráfico de drogas, receptação, porte ilegal de armas, furtos e formação de quadrilha. Fora da cadeia, ele estaria comandando os ataques por ordem de seus comparsas que estão nas penitenciárias e presídios da Grande Fortaleza.

Inteligência

A Secretaria da Justiça e da Cidadania (Sejus), responsável pela administração das unidades prisionais, informou que não irá se pronunciar sobre o fato até a conclusão das investigações policiais. A unidade de Inteligência do órgão está trabalhando em conjunto com a SSPDS, colaborando na identificação dos detentos que estariam ordenando a destruição dos coletivos nas ruas de Fortaleza.

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