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315 em 19/2/2019  

Escândalo no governo: Sindicato dos Policiais Civis denuncia tráfico de influência na Academia Estadual da Segurança Pública

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Um Boletim de Ocorrência revela as denúncias de falcatruas na Academia da Segurança Pública

Uma grave denúncia revelada nesta sexta-feira pode se transformar no primeiro escândalo na gestão do governador Camilo Santana (PT) e atinge diretamente a administração da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social. A denúncia revela suposto tráfico de influência e fraude na Academia Estadual da Segurança Pública (AESP).

A denúncia foi feita pelo Sindicato dos Policiais Civis do Ceará (Sinpol), onde uma instrutora do Curso de Formação de Perito Criminal e Auxiliar de Perícia revelou que o atual diretor-geral da Academia, coronel PM José Herlínio Dutra, teria ordenado a anulação de questões numa prova de Direito Penal para beneficiar um candidato a perito. Tal candidato seria filho do Perito-Geral do Estado, Maximiano Leite Chaves. O caso deverá ser levado ao conhecimento dos Ministérios Públicos Estadual (MPE) e Federal (MPF), além da Polícia Federal, para adoção de providências.

A denunciante (identidade preservada) prestou um Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o fato e, ao mesmo tempo, solicitou sua inclusão no Programa Estadual de Proteção à Vida (Provita), temendo represálias.

No B.O. a instrutora afirma ter sido convocada para uma reunião com o diretor-geral da Aesp e outros gestores daquele órgão, ocasião em que presenciou o coronel PM Herlínio Dutra ordenar a seus auxiliares (dois oficiais), os majores BM Amaral e PM Clairton, que anulassem as questões de uma prova eliminatória na qual o filho do perito-geral não acertou as respostas, correndo, assim, o risco de ser reprovado no curso preparatório.

Anular

O coronel Dutra teria dado a ordem diretamente ao major PM Clairton, que exerce, atualmente, o cargo de supervisor da Coordenadoria de Ensino da academia. O oficial teria discordado daquela atitude, no que Dutra teria retrucado: “Clairton, você não está aqui para concordar ou discordar, mas para fazer o que eu mando”. Em seguida, reforçou para que o major fundamentasse toda a prova para anular as questões e, assim, beneficiar o filho do perito-geral, evitando sua reprovação e, consequentemente, a eliminação no curso preparatório.

O caso já foi comunicado pelo Sindicato à Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGDOSPSP) e deve chegar, na próxima semana, ao conhecimento formal do MPE, MPF e da PF.

O Sindicato dos Policiais Civis exige, ainda, o imediato afastamento do cargo do diretor da Aesp e do perito-geral da Pefoce. A SSPDS informou somente que encaminhou o fato à Controladoria Geral de Disciplina para a devida apuração.

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