Levando a sério o jornalismo 24 horas por dia.

Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

315 em 19/2/2019  

EXCLUSIVO: Corpos de vítimas de assassinatos e acidentes permanecem, em média, até 6 horas em via pública até chegar à Perícia Forense

Quixeramobim

A demora no recolhimento dos corpos em via pública é ainda mais grave no Interior

Além de enfrentar a superlotação de presos nas delegacias, a crescente onda de assassinatos e uma ameaça de greve por parte de policiais civis, a Segurança Pública do Ceará  está diante de mais um fato grave: a demora no recolhimento de corpos de vítimas da violência. Cadáveres de pessoas assassinadas ou que vieram a óbito em acidentes, passam horas nos locais dos crimes ou de desastres  até que sejam recolhidos aos núcleos da Perícia Forense (Pefoce). A média dessa demora é de 6 horas.

A denúncia de que o corpo de um idoso permaneceu durante sete horas e meia na rodovia que liga as cidades de Icó e Iguatu, na manhã do último domingo (20), repercutiu na Imprensa. A vítima foi o aposentado João Ventura de Abreu, 64 anos, que morreu no capotamento de uma caminhonete na rodovia estadual CE-282.  O desastre aconteceu no começo da manhã e somente foi recolhido por volta de 16 horas, fato que causou revolta da família e de populares que estiveram na cena do desastre.

Demora

Nos fins de semana e feriados prolongados, principalmente, a demora no recolhimento dos corpos em via pública chega a prejudicar a própria Polícia Militar, que tira do policiamento ostensivo suas patrulhas para que estas permaneçam preservando os locais de crimes até que sejam realizados  a perícia e o posterior recolhido do cadáver.

No fim de semana passado, esse retardamento no recolhimento dos corpos chegou a até 19 horas. Além disso, mesmo depois de colocado nos rabecões da Pefoce, os mortos  ainda podem passar por  mais um longo período dentro dos veículos até que seja feita a entregue nos núcleos de Perícia no Interior ou,  na sede da Pefoce, em Fortaleza, onde funciona a Coordenadoria de Medicina Legal  (Comel), o antigo IML.  Isso porque o veículo só retorna ao órgão quando sua capacidade de transporte está esgotada. Assim, os cadáveres  são  levados de um local de crime para outro,  horas à fio.

Cadáver na rua

Um dos casos registrados no fim de semana passado mostrou até que ponte essa demora pode chegar. O corpo de José Maria da Costa Rocha, assassinado a tiros no bairro Caça e Pesca, na zona Leste de Fortaleza, só foi entregue na sede da Comel 19 horas após o crime. O homem foi morto por volta de 7h55 de sábado (19), na Rua Robert Monteiro; e só deu entrada na Comel às 2h50 do domingo (20).

Já o cadáver de Raimundo Bezerra de Brito, morto na Rua 23 de Abril, no bairro Granja Portugal, às 3 horas de sábado, foi deixado na Coordenadoria de Medicina Legal às 21h20, portanto 17 horas e 20 minutos depois do óbito.

O blogdofernandoribeiro.com.br  fez uma minuciosa pesquisa no fim de semana com o registro de 24 corpos recolhidos pelos rabecões da Pefoce nas ruas da Grande Fortaleza entre os dias 19 (sábado) e domingo (20) e constatou que, em média, o tempo registrado entre o fato criminoso (crime ou acidente) e a entrada do cadáver  na Comel é de 6 horas.

Novos veículos

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) informou que novos veículos rabecões, tipo caminhões, estão sendo adquiridos pela Pasta e  serão incorporados à frota da Pefoce até o fim do ano. São caminhões com sistema de refrigeração e outros equipamentos.  A intenção é  reduzir a demora no recolhimento das vítimas e sua entrega nos  núcleos do órgão responsável  pela necropsia. 

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar