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1.556 em 24/8/2019  

Deputado Carlomano diz que Saúde no Ceará é calamitosa e aponta as causas da crise no setor

Carlomano 2

Em uma contundente entrevista na manhã desta sexta-feira (22) ao programa “Ceará News”, da Rede Plus de Rádio, o deputado estadual e presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa do Estado, Carlomano Marques (PMDB), foi enfático ao afirmar que o Ceará passa, no momento, pela pior crise da história no âmbito da saúde. Considerou a situação calamitosa e chamou à responsabilidade os prefeitos que não têm compromisso com a política de uma boa gestão do setor.

Em entrevista ao radialista Luciano Augusto, Carlomano Marques, qu é médico, apontou os três principais problemas que, segundo ele, contribuíram decididamente para que a Saúde no Ceará chegasse ao estado de falência, fato noticiado pela Imprensa em todo o País.

Segundo o parlamentar, um deles é a falta de recursos financeiros para bancar o custeio dos investimentos feitos no governo de Cid Gomes, que construiu na sua administração três hospitais regionais (Juazeiro do Norte, Sobral e Quixeramobim), 25 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), 19 Policlínicas e 18 Centros Especializados em Odontologia (CEOs). No entanto, faltou aos governos estadual e federal pactuar os custeios, isto é, a verba para que as novas unidades pudessem funcionar plenamente, com recursos permanentes para a aquisição de insumos e contratação de profissionais.

“Hoje, os três grandes hospitais regionais estão na seguinte situação. O de Quixeramobim foi construído, mas está fechado. O de Juazeiro funciona precariamente, atendendo somente a metade da demanda; e o de Sobral está transferindo seus pacientes para Fortaleza”.

Prefeitos

O segundo problema diz respeito ao descompromisso de prefeitos com a política municipal de atendimento de atenção básica, que inclui o trabalho dos agentes de saúde, o Programa Saúde da Família (PSF), o funcionamento dos postos e dos hospitais municipais e hospitais polos. Sem o devido atendimento nestas cinco etapas, os pacientes têm suas doenças agravadas e são obrigados a procurar ou serem transferidos para as unidades de maior complexidade. As doenças se agravam e aquilo que poderia ser curado com procedimentos primários (como uma simples medição da pressão arterial) evolui para quadros, muitas vezes, gravíssimos, que necessitam de intervenção cirúrgicas complexas e cara, ou até irreversíveis, gerando óbito.

Carlomano deu como exemplo o caso do hospital de Maracanaú, que é classificado como de Referência, isto é, recebe pacientes de outros Municípios próximos onde não há atendimento adequado. “O Município de Pacatuba, por exemplo, mandou para o hospital de Maracanaú 5.121 pacientes por não ter atendimento local. Isso é falta de responsabilidade e de compromisso público do prefeito de Pacatuba para com a Saúde do seu Município e gera prejuízos e superlotação na unidade de Maracanaú”, exemplificou.

Falência

A terceira causa, segundo Carlomano Marques, diz respeito à não atualização da tabela de custos de procedimentos do Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo ele, a tabela não é majorada há cerca de oito anos. Diante disso, o Estado perdeu neste período aproximadamente 1.300 leitos em hospitais particulares conveniados, que acabaram fechando as portas diante dos prejuízos financeiros. Cerca de 30 hospitais particulares que atendiam pacientes do SUS faliram. Ele explica que procedimentos com custo de R$ 150,00, por exemplo, recebiam do SUS R$ 100,00 ou bem menos. “A conta nunca fechava e os hospitais conveniados não resistiram financeiramente”. Ele citou como exemplos, a Policlínica de Fortaleza e o Hospital dos Acidentados, ambos em Fortaleza.

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