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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

2.274 em 14/12/2019  

Facções criminosas promovem "união" de gangues armadas na periferia de Fortaleza e se intitulam "Guardiões do Estado"

sexta-feira 29.1.2016 Gangues 017

A união entre gangues e quadrilhas em torno de lideranças de facções criminosas paulistas e cariocas avança na periferia da Capital, desafiando as autoridades da Segurança Pública e tornando o tráfico de drogas mais forte. Pelo menos, nove regiões de Fortaleza já foram dominadas por líderes do Comando Vermelho  (RJ) e do Primeiro Comando da Capital, o PCC (SP). Os criminosos agora passaram a seu autodenominar de "Guardiões do Estado"

O avanço do domínio das facções na cidade tem trazido medo e inquietação nestas comunidades. Somente nesta semana, pelos menos, três  carreatas com muito barulho e fogos de artifício foram registradas em Fortaleza em comemoração à aliança  entre grupos então rivais na “guerra” pelo domínio do tráfico.

Quadrilhas antes rivais, agora se aliaram para atuarem  juntas sob o comando de traficantes membros das organizações criminosas do Sudeste.  Em troca de uma “pacificação” dessas áreas, os bandidos locais estão recebendo a “proteção” das facções. Isto significa dinheiro, armas e veículos.  Em compensação, os grupos firmaram o compromisso de acabar com os assassinatos. O pacto passou a ser chamado de “união pela paz”.

Nesta semana, foram registradas carreatas e fogos  de artifício nos bairros Varjota, Tancredo Neves e no Mucuripe, com dezenas de veículos em comboios, muita gritaria e fogos comemorando a “união” das quadrilhas.

Já é possível  observar  em vários pontos da  periferia muros pichados com frases e gravuras avisando sobre  a “pacificação” da área por ordem dos criminosos. Com a redução dos assassinatos, a Polícia se distancia de tais comunidades e o tráfico domina completamente tais áreas. Nas redes sociais, os integrantes das gangues espalham que “juntos somos mais fortes”.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) silencia sobre o fato.

Veja agora as áreas onde houve união dos grupos criminosos:

BARRA DO CEARÁ – Estão unidas quadrilhas das comunidades do Gueto, Morro de São Tiago (Goiabeiras), Colônia

PIRAMBU – Se uniram gangues da Praça do Abel, Caldeirão e Colônia

PRAIA DO FUTURO – União das gangues das favelas do Caroço e dos Cocos

TANCREDO NEVES – União das gangues das favelas Cinquentinha, Brooklim e do Conjunto Tasso Jereissati

SAPIRANGA – A primeira a unir gangues em torno de um comando único de uma facção. Uniram-se as gangues da Piçarreira, Muro Alto e Sapiranga

VILA VELHA – Teriam se unido, ainda no ano passado, e selado um pacto pela paz as gangues dos Gafanhotos e V-3. Este pacto já teria sido rompido recentemente e novos assassinatos voltaram a ocorrer na área.

MUCURIPE –  Teriam se unido quadrilhas armadas que antes agiam isoladas e em conflitos constantes nas favelas dos Índios (Via Expressa), Lagoa do Coração, das Barreiras (Via Expressa), Saporé (Via Expressa), Conjunto Santa Terezinha, Varjota, das Placas e Verdes Mares.

DIONÍSIO TORRES – União de gangues das Quadras (de Santa Cecília) e do Trilho 

CONJUNTO PALMEIRAS - Gangues do bairro também se uniram e já espalharam pichações e grafites se autodenominando "Guardiões do Estado"