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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará 2018

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Atualizado em 18/5/2018  

Segurança Pública tenta se reerguer em 2018 após o fracasso com a matança de 5 mil pessoas no ano passado

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SIRENE ABERTA Fernando Ribeiro

Camilo de quepe 2

Finalmente, na sexta-feira à tarde (12), a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) reuniu a Imprensa para a divulgação dos números oficiais da criminalidade no passado. Como já era do conhecimento da população, o ano de 2017 marcou um recorde no número de assassinatos no estado. Pelas contas da SSPDS, foram 5.134 pessoas mortas, o que representou uma elevação da ordem de 50,7 por cento em comparação a 2016. Passado o terremoto, cabe agora às autoridades “juntar os cacos” do que sobrou de bom na Segurança Pública (se é que tem) e planejar as estratégias para reduzir a violência no estado.

CONSELHO VAI COBRAR

E coube ao Conselho Estadual da Segurança Pública (Consesp) o papel de primeiro exigir do governo do estado explicações sobre o que está havendo no setor e cobrar a apresentação de um plano estadual de segurança para 2018. Há duas semanas, o colegiado, que reúne representantes de vários órgãos públicos e da sociedade civil, cogitou a remessa à Presidência da republico de um pedido de decretação de intervenção federal no Ceará para o restabelecimento da ordem pública. A reação surpreendente veio do secretário que comanda a Pasta da Segurança. André Costa, titular da SSPDS, declarou na Imprensa e nas redes sociais ser a favor da intervenção. E mais, que ela se estenda por todo o País. Desse modo, está afinado com o discurso do seu chefe, o governador Camilo Santana (PT), que tenta empurrar para o Governo Federal o fracasso na sua política de Segurança Pública para o Ceará. Os dois – Camilo e André – afirmam que a culpa pela violência no País  reside em Brasília.

AINDA É POUCO

Uma nova turma de candidatos aprovados no concurso para os cargos de delegados, escrivães e inspetores ingressa nos bancos da Academia Estadual da Segurança Pública para iniciar o curso de formação profissional. Foram convocados pelo estado cerca de 730 candidatos que agora passarão alguns meses na preparação. O número é longe de ser o ideal para a demanda atual da Polícia Judiciária cearense.  Mais de 90 delegacias do Interior do estado estão de portas fechadas por falta de profissional – especialmente delegados.  Das 20 delegacias regionais do Interior, somente 11 funcionam em esquema de plantão 24 horas. De 20 Delegacias de Defesa da Mulher que deveriam existir do estado (em todos os Municípios com população a partir de 50 mil habitantes) foram implantadas até agora somente 10.  Dos 35 Distritos Policiais (DPs) da Grande Fortaleza, apenas 10 tiram plantão noturno e nos fins de semana. Como se percebe, a insuficiência de efetivo e a carga de trabalho para as delegacias existentes e em funcionamento exigem maior investimento do estado.

QUEM TEM RAZÃO ???

Foi aberta a temporada de conflito entre as duas forças policiais estaduais no Ceará: PM e Polícia Civil. O motivo desta peleja é a autorização que alguns juízes de Direito de comarcas do Interior estão dando para que a Polícia Militar realize os Termos Circunstanciados de Ocorrência, procedimento que substitui a prisão em flagrante em crimes punidos pela Lei em até dois anos de prisão. São os chamados crimes de menor potencial ofensivo. Com esta autorização, os PMs não precisam conduzir os presos em tal situação para as delegacias. Nos quartéis mesmo ele lavram o TCO. Quem não gostou nem aprova isto é a Polícia Civil, que sustenta ser um procedimento exclusivo de sua competência legal.  Na cidade de Camocim, no litoral Norte do estado, o delegado regional abriu inquérito contra quatro PMs que teriam feito um TCO. O delegado entendeu que a situação era para flagrante e, agora, os  militares serão processados por crimes de prevaricação e usurpação de função. A briga vai ser feia entre as duas categorias. Mas nas vias judiciais.

SENADOR POMPEU REAGE

Em Senador Pompeu, no Sertão Central (a 273Km de Fortaleza), a Polícia voltou a fazer uma grande operação de caça a criminosos. Isso porque bandidos atiraram na porta do Fórum da cidade e deixaram um bilhete exigindo que um comparsa preso fosse transferido da Cadeia Pública de lá para outro local. Ao  tomar conhecimento do fato, o prefeito Maurício Pinheiro (PDT),  que é policial civil e acostumado sair à procura de bandidos, reuniu as forças amigas: Polícia Civil, PM, Judiciário e Ministério Pública. Ontem mesmo foi iniciada uma nova operação para capturar os responsáveis pelo atentado ao fórum.  No ano passado, a primeira grande operação naquela cidade resultou na desarticulação de uma quadrilha ligada ao tráfico de drogas. O resultado foi animador e o Município reduziu drasticamente os índices de violência e zeraram os casos de homicídios. Para não deixar a coisa volta ao que era, Pinheiro e as autoridades policiais deram logo uma resposta ao crime e iniciaram a reação à bandidagem.  Lá não há espaço para o crime.

PAPEL DO MUNICÍPIO

Na primeira reunião formal do Conselho Municipal de Proteção Cidadã, realizada na manhã da última sexta-feira (12), no Paço Municipal, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PT), mas uma vez reafirmou o compromisso do Município com a questão da Segurança Pública. Diante de todo o secretariado municipal e de representantes do Judiciário, Ministério Público e das forças policiais, ressaltou a contribuição que a prefeitura dará ao estado na prevenção à criminalidade. Antes de sair de férias, ele ressaltou a importância do Plano Municipal de Proteção Urbana (PMPU), que entrará em atividades ainda neste mês. Torres de segurança  estão sendo erguidas nos bairros Jangurussu e Barra do Ceará (comunidade Goiabeiras) para fazer a vigilância dos bairros. Policiais militares (neo soldados) e guardas municipais estão em treinamento para atuarem, conjuntamente, na prevenção e repressão ao crime nos bairros mais violentos da cidade.

CORTARAM AS ASAS

“Fica vedado aos pilotos realizarem varredura sobre matagais em busca de suspeitos armados. Para esta finalidade o piloto deverá solicitar apoio de equipes de terra. Caso não haja esse apoio, a missão deverá ser abortada”.  Foram determinações assim que geraram uma polêmica em torno das atividades da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), através de uma circular interna (CI) assinada pelo coordenador daquele órgão, delegado de Polícia Civil, Aristóteles Tavares Leite.  O documento é de 15 de dezembro último e, desde então, as operações das aeronaves da Ciopaer estão restritas. A polêmica acontece no momento em que o governo do estado alardeia a aquisição de duas novas aeronaves para o órgão. Cada um deles custando cerca de R$ 42 milhões. De dentro da Ciopaer houve um manifesto de desagrado dos tripulantes pelas restrições imposta ao trabalho deles pelo coordenador. A Assessoria do órgão contesta as denúncias. Diz que apenas foram normatizadas as regras de segurança que já eram praticadas pelos pilotos dos  “Fênix”.

 E TEM MAIS!!!

* A Polícia Federal está supervisionando o treinamento de tiro que está sendo dado aos guardas municipais que irão atuar nas torres de segurança em Fortaleza. O superintendente do órgão, delegado Delano Cerqueira Bunn, tem prestado apoio irrestrito ao colega Moroni Torgan, que coordena o Plano Municipal de Proteção Urbana (PMPU). 

* O número de assassinatos de mulheres não para de crescer. Em apenas 15 dias de janeiro de 2018, já foram 16 casos. A maioria dos crimes tem relação sim, com a “guerra” das facções criminosas Guardiões do Estado (GDE) e Comando Vermelho (CV) nas favelas da periferia de Fortaleza.

* Correição realizada pela Controladoria Geral de Disciplina nas dependências da Divisão de Combate ao Tráfico de Drogas (DCTD) não encontrou nenhuma irregularidade. A denúncia de retirada de peças de veículos apreendidos não foi comprovada. A DCTD passa por reestruturação.

* Um candidato reprovado no concurso para soldado da PM obteve da Justiça a ordem para ser nomeado mesmo tendo sido comprovado que ele já havia sido preso por vários crimes. A ordem judicial causou indignação na tropa e no Comando da PM, mas teve que ser devidamente acatada.

* Aumentou o efetivo de policiais militares no Pré-Carnaval de Fortaleza neste ano em comparação a 2017. A chegada de novos soldados permitiu esse acréscimo. As duas rotas de desfile dos blocos (avenidas Historiador Raimundo Girão e Rua João Cordeiro) estão bem policiadas e seguras.

* Dois policiais militares foram detidos e conduzidos à sede da Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário. Na sexta-feira passada (12),  foram flagrados praticando uma suposta extorsão contra traficantes na comunidade “Babilônia”, no Barroso.