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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2018

4.589 em 11/12/2018  

Imprensa cearense de luto com a morte do jornalista Landry Pedrosa, ícone da reportagem policial no Ceará

Landry 3

Jornalista e repórter policial Landry Pedrosa Martins (centro), na Redação de O Povo, ladeado pelos colegas Ana Márcia Diógenes e Eliomar de Lima

 VEJA ENTREVISTA COM LANDRY PEDROSA

Aos 73 anos de idade, faleceu nesta terça-feira, em Fortaleza, o jornalista Landry Pedrosa Martins. Natural de Catarina, Landry foi um dos primeiros repórteres cearenses especializado em cobertura policial. Sua trajetória profissional, em sua maior parte, foi exercida no jornal O Povo, na Capital.

Landry Pedrosa estava internado desde a semana passada em um hospital particular de Fortaleza após a comprovação de que havia sido acometido de leucemia. Recebeu doação de sangue de amigos e buscava a recuperação, porém, nesta terça-feira a família comunicou aos colegas de trabalho e amigos seu falecimento.

Durante mais de 30 anos, Landry exerceu com maestria o ofício de repórter policial. Tinha um leque imenso de fontes e trabalhou no tempo em que não havia as facilidades da tencologia dos dias de hoje, como computador e celular. Todas as manhãs fazia a ronda policial na cidade, começando pela Central de Polícia, ou “Casarão”, no Centro (atual sede da Delegacia Geral da Polícia Civil, na Praça dos Voluntário, Rua do Rosário). Em seguida, percorria as delegacias da Capital e da Região Metropolitana em busca de notícias que, no dia seguinte, estariam publicadas nas páginas de O Povo.

Também realizou grandes coberturas na Justiça, acompanhando julgamentos e processo s de casos policiais que ficaram famosos na Imprensa cearense, como o caso da bailarina Renata Braga, a morte do comerciante Gumercindo Gomes em pleno Fórum quando era julgado por assassinato, o “Caso Colméia (morte do dono da construtora) e a Chacina do Pantanal (três jovens executados do atual Planalto Ayrton Senna), crimes que tiveram ampla repercussão no Ceará entre os anos 80 e 90.

Landry Pedrosa também trabalhou na Assessoria de Comunicação Social e Imprensa da Polícia Civil do Estado do Ceará.

O sepultamento do jornalista está marcado para as 16 horas de hoje no cemitério Parque da Paz.

Depoimentos

“Landry Pedrosa era um ícone da Reportagem. Não apenas da reportagem policial, da qual era um especialista em um dos pioneiros na Imprensa cearense. Era um senhor repórter, dos tempos em que não havia as "facilidades" do celular, do computador e de outras ferramentas da tecnologia atual. Era o que chamávamos de repórter "pé de boi", percorria todos os dias as delegacias da cidade na sua "Ronda Policial", começando pela velha Central de Polícia ou "Casarão", no Centro da cidade. Tinha faro para a notícia. Tinha um leque imenso de fontes e sabia escrever muito bem, sem corretor ortográfico e na velha máquina de escrever. Foi meu verdadeiro professor de Jornalismo, me fez um repórter de Polícia. Era homem de rua, como todo bom repórter tem que ser. Obrigado Landry” (Jornalista Fernando Ribeiro)

“A partida do lendário e icônico jornalista policial Landry Pedrosa promove uma paralisia nos meios de comunicação cearenses para homenageá-lo. Landry foi protagonista de uma era do chamado jornalismo romântico, onde os meios e recursos tecnológicos inexistiam. Foi um contorcionista habilidoso do seu tempo. Lembro de sua frenética agitação e cirúrgica precisão em dar realce e detalhes às suas matérias. Tive a honra e privilégio de ter sido entrevistado por ele muitas vezes. Landry é o exemplo de profissional que reforça a afirmação de que nem sempre é o pai rico que deixa a melhor herança. Deixa uma vida de modelar exemplo de devoção ao trabalho e à família”. (Advogado Leandro Vasques)