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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2018

3.947em 18/10/2018  

Comando afasta PM que atirou de carabina e matou mulher em abordagem desastrosa na Capital

CGD

Caberá à Controladoria Geral a investigação sobre o apisódio que culminou na morte da cidadã

O Comando-Geral da Polícia Militar do Ceará (PM-CE) informou, na noite desta terça-feira (12) ter afastado das funções operacionais o soldado do Pelotão de Motopatrulhas que teria disparado tiros com uma carabina modelo CT-40, de calibre Ponto 40, que resultou na morte de Gisele Távora Araújo, 42 anos. O crime ocorreu na noite de segunda-feira (11) durante uma abordagem dos militares ao carro da vítima na Avenida Oliveira Paiva, na Cidade dos Funcionários, zona Sul de Fortaleza.

Segundo o porta-voz da Corporação, coronel PM Andrade Mendonça, o soldado (identidade não revelada) deverá permanecer em atividade, mas exercendo somente funções burocráticas, no setor Administrativo, enquanto o caso é apurado pela Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos da Segurança Pública e do Sistema Penitenciário (CGD).

O Comando não informou, mas informações extra-oficiais indicam que o soldado é ainda recruta, formado nas últimas turmas do novo contingente da Corporação. O oficial explicou que todos os policiais militares passam por cursos de nivelamento operacional, para realizarem as atividades normais de policiamento, entre elas, as abordagens nas ruas.

Já o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, delegado federal André Costa, acentuou que os policiais que estão nas ruas sofrem uma forte carga de estresse, mas que são treinados para a realização das abordagens.

Costa mudou de tom nas últimas horas, após o episódio da morte da universitária e agora afirma que os policiais somente devem atirar quando estiverem em situação de confronto. Antes, apregoava que “o primeiro tiro deve ser sempre do policial”.

Apurar

A arma que o policial militar usava por ocasião da ação desastrosa na Cidade dos Funcionários, segundo o Comando Geral, foi recolhida pela Delegacia de Assuntos Internos (DAI) da CGD e deverá ser submetida à perícia balística na Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce). Caberá àquele órgão processar as investigações em torno do fato. Paralelamente ao trabalho da Controladoria, a própria PM deve instaurar um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a conduta do PM no episódio.

Somente neste ano, entre os meses de janeiro e maio, 108 pessoas foram mortas pela Polícia no Ceará. São as denominadas oficialmente pelo governo Mortes por Intervenção Policial (MIPs), que não são contabilizadas pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) nas estatísticas da criminalidade. Também são excluídos dessa estatística oficial os assassinatos ocorridos dentro das cadeias públicas, presídios, penitenciárias e outras unidades integrantes do Sistema Penitenciário Estadual.