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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará em 2019

1.681 em 13/9/2019  

Juiz manda soltar farmacêutica carioca suspeita da morte de turista italiana no Ceará

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Mírian França de Mello deve ser liberada na tarde desta terça-feira na Delegacia de Capturas

A Justiça cearense revogou, na manhã desta terça-feira (13), a prisão temporária da pesquisadora e farmacêutica carioca Mirian França de Mello, suspeita de envolvimento na morte da turista italiana Gaia Barbara Molinari, cujo corpo, com várias marcas de violência, foi encontado na tarde de 25 de dezembro último, em Jijoca de Jericoacoara, no litoral Oeste do Estado.

A decisão partiu do juiz de Direito daquela Comarca, José Arnaldo dos Santos Soares.O Ministério Público (Promotoria) deu parecer favorável à soltura da suspeita. Mírian está, ainda, na sede da Delegacia de Capturas e Polinter (Decap), em Fortaleza, aguardando que a Polícia receba oficialmente, através de um oficial de Justiça, o alvará de soltura.

Em sua decisão, o juiz afirma que, "após detida análise dos autos, vejo que a prisão da requerente exauriu sua finalidade, não se mostrando mais imprescindível às investigações, sobretudo, porque é possível a aplicação de outra medida cautelar menos gravosa, mas que atingirá a mesma finalidade, em atenção ao princípio da proporcionalidade", acentou o magistrado.

Sobre a decisão anterior, quando a Justiça decretou a prisão temporária da suspeita, o juiz acrescentou que, "naquela ocasião, a medida era imprescindível para as investigações. Como se vê, sem maiores dificuldades, na decisão (anterior) não há qualquer valoração no que pertine ao perfil da investigada, sua classe social, sua cor, raça, creddo etc, mas tão somente uma análise técnica em que se constatou a existência dos requisitos da medida decretada".

Dessa forma, o juiz se posicionou contrario às críticas que a Defensoria Pública do Estado e a mãe de Mírian fizeram em relação ao trabalho da Polícia Civil do Ceará, através da delegada Patrícia Bezerra, segundo as quais a prisão de Mírian teria sido "injusta" e somente por ela ser negra. Também ao decidir sobre a soltura da carioca, o magistrado considerou que  ela possui profissão definida, endereço fixo e não possui antecedentes criminais.

Suspeita

Mírian havia sido detida pela equipe da Delegacia de Proteção ao Turista (Deprotur) após a descoberta do corpo da italiana em Jericoacoara. Ela foi ouvida em depoimento duas vezes pela delegada Patrícia Bezerra e teria mentido e caído em várias contradições.

A carioca havia conhecido a italiana em uma pousada em Fortaleza e juntas viajaram de passeio a Jeri. Mas, por motivo ainda não revelado, as duas se separaram. Mírian viajou para o outro lado do Estado, indo parar na Praia de Canoa Quebrada, em Aracati, no Litoral Leste do Ceará, deixando Gaia Molinari sozinha em Jeri, onde a italiana acabou sendo assassinada.

Após prestar os depoimentos em Fortaleza, e ser submetida a exames periciais, Mírian tratou de arrumar as malas e retornar ao Rio de Janeiro. Sabendo disso, a delegada Patrícia Bezerra decidiu agir de forma cautelar e requisitou da Justiça a decretação da prisão temporária da suspeita. O pedido foi analisado pelo Ministério Público, que deu parecer favorável, isto é, concordou com a atitude da delegada, e a Justiça mandou prender a farmacêutica.

Crime e mistério

O caso ainda está sob investigação da Deprotur. Ontem (12), o delegado-geral da Polícia Civil do Ceará,  RaimundoAndrade Júnior, nomeou mais dois delegados para auxiliar na apuração do caso. O laudo do exame de necropsia comprovou que Gaia foi morta por meio de estrangulamento, além de espancamentos. O exame também comprovou que ela não sofreu violência sexual. A hipótese de um latrocínio (roubo seguido de morte) foi afastada. Portanto, segue o mistério emn torno do caso.

O corpo da italiana segue na tarde de hoje para sua terra natal.