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Homicidômetro - Assassinatos no Ceará 2017

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Atualizado em 23/11/2017  

Caos na Saúde faz IJF atender a mais de uma centena de pacientes nos corredores. Alguns foram colocados no chão

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Caótica. Esta é a palavra que resume o quadro da saúde pública em Fortaleza. Com os hospitais distritais (“Frotinhas” e “Gonzaguinhas”) e as Unidades de Pronto Atendimento superlotadas, sobrou mais uma vez para o Instituto Doutor José Frota, o IJF-Centro ou “Frotão”, receber centenas de pacientes neste fim de semana. O resultado disso foi um quadro de completa precariedade, com cerca de 100 pacientes espalhados em macas pelos corredores e outros até sendo atendidos no chão.

O blogdofernandoribeiro.com.br conseguiu registrar algumas destas situações vexatórias e que atentam contra a dignidade das pessoas já abaladas pelo seu estado de saúde precário. Para se ter uma ideia da quantidade de atendimentos de urgência e emergência realizados pelas equipes plantonistas do IJF basta informar que foram, nada menos, que 696 pacientes recebidos entre a noite de sexta-feira (8) e a madrugada desta segunda.

Conforme aquela instituição, foram 121 pacientes vítimas de acidentes com motocicletas (colisões, choques, quedas etc), 36 de acidentes com automóveis (colisões, quedas, choques, capotamentos e abalroamentos), e 23 atropelamentos. Além disso, um grande contingente de pacientes apresentando lesões decorrentes de agressões físicas, tiros, facadas, acidentes com animais, acidentes domésticos, acidentes com plantas, queimaduras, envenenamento etc.

Traumas e greve

Já as UPAS e “Frotinhas” enfrentam situação semelhante. Quem quebrou ou fraturou ou teve uma simples entorse em pernas, pés, mãos, braços e clavículas, os chamados traumas, não teve atendimento nas unidades de apoio da periferia. Nas UPAS não há atendimento para quem precisa de um traumatologista. O máximo que o paciente consegue ali é ser examinado por um médico generalista e passa por raio-X. Se constatada a fratura e necessitar de imobilização, tem que seguir para um dos “Frotinhas” (Antônio Bezerra, Parangaba ou Messejana). Porém, neste fim de semana, apenas o de Parangaba atendia a traumas.

Além da imensa quantidade de pacientes a serem atendidos, os profissionais de Saúde do Município denunciam que estão com seus salários atrasados há, pelo menos, três meses e não descartam a deflagração de uma greve ainda nesta semana. Enquanto isso, na Saúde do Estado, o governador Camilo Santana (PT) ainda procura um secretário para assumir a Pasta, já que o anterior, Carlile Lavor, pediu demissão na semana passada diante do caos do sistema.