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Universitário acusado de matar o pai será julgado no Ceará

Como num enredo de filme policial, a Justiça do Ceará vai levar a julgamento um jovem universitário acusado de ter tramado e executado o assassinato do próprio pai, depois de perder o direito a uma milionária herança. O crime ocorreu há quase cinco anos, no Vale do Jaguaribe.

O estudante de Nutrição, Francisco Telsângenes Diógenes, é acusado de ter assassinado seu pai adotivo, o fazendeiro, agropecuarista e ex-prefeito do Município de Pereiro (340Km de Fortaleza), Francisco Mardônio Diógenes Osório, morto com dez tiros na manhã do dia 31 de dezembro de 2009. Na ocasião, Mardônio Diógenes supervisionava os trabalhos de reparos de uma cerca em uma de suas propriedades rurais, a Fazenda Campos, em Pereiro. Vítima de uma emboscada, ele morreu dentro de sua caminhoneta.

Investigações policiais realizadas na época revelaram a autoria e motivação do assassinato. Conforme o processo, Telsângenes era, na verdade, filho natural de um irmão do ex-prefeito, mas por este fora adotado ainda criança. O rapaz levava uma boa vida. Morava em Fortaleza, onde cursava uma universidade particular. Tinha bons carros e gostava de postar fotos nas redes sociais se divertindo em festas de forró e vaquejadas. No entanto, internamente, a família vivia uma "guerra" por conta da disputa pelo dinheiro do ex-prefeito.

Consta na denúncia do Ministério Público que o rapaz e seu tio, Francisco Rodrigues Queiroz (este, irmão do fazendeiro) decidiram tramar e executar a morte de Mardônio Diógenes depois que este excluiu o filho adotivo da herança.

Meses antes de sder fuzilado, Mardônio Diógenes havia vendido uma de suas fazendas, no Município de Ererê, pelo valor de R$ 2,8 milhões. O filho não recebeu um só centavo desta bolada e também reclamava do valor da mesada que recebia do ex-prefeito. A investigação também descobriu que, em 2002, a mãe natural do rapaz, Zulene Pontes Martins, movera e ganhara uma ação judicial para anular o registro de nascimento do filho. O processo já havia tramitado em julgado, isto é, teve sentença definitiva, não cabendo mais recurso.

Dias antes de ser morto, o ex-prefeito, conforme o processo, havia confidenciado à sua filha natural e herdeira, Mardênia Aquino Diógenes; e a uma irmã (dele), Maria Santelma Diógenes, que vinha sofrendo ameaças por parte de Telsângenes.

Tudo isso levou o promotor de Justiça Marcus Vinícius de Oliveira Nascimento a denunciar o estudante e seu tio como responsáveis pelo crime. O juiz de Direito da 4ª Zona Judiciária do Estado, Magno Rocha Thé Mota, decidiu mandar os dois réus a Júri popular, o que deve acontecer nos próximos meses. Telsângenes e o tio serão julgados como autores de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe (a disputa pela herança da vítima) e pela surpresa (impedindo que a vítima esboçasse reação), através da emboscada. Se concenados à pena máxima, serão sentenciados a 30 anos de prisão.